20 março, 2015

ASA Bahia avalia sua trajetória em 2014 e planeja novas ações para 2015

Por Daiane Almeida
Comunicadora Popular da ASA

Durante os dias 18 e 19 de março, aconteceu no município de Feira de Santana, o Encontro Estadual da Articulação Semiárido na Bahia. Participaram da atividade agricultores e agricultoras, técnicos, coordenadores e membros de comissões de recursos hídricos das diversas microrregiões do estado, onde a articulação atua.

O objetivo do encontro foi avaliar as ações da ASA Bahia no ano de 2014 e planejar as ações para o ano de 2015. Na avaliação de Naidison Baptista, coordenador da articulação no estado, a rede conseguiu dar passos importantes, realizando um bom trabalho durante o ano. “Avançamos em algumas discussões como o gênero e a comunicação, sobre estes temas foram realizados encontros estaduais de qualidade, e também no campo da formação da convivência com o semiárido. No entanto, é preciso multiplicar essas formações nas nossas localidades, na perspectiva de ampliar ainda mais os debates”, afirmou Baptista em fala durante a plenária.

Num segundo momento, os participantes foram chamados a refletirem sobre os desafios da ASA-BA para o ano de 2015. Neste sentido, em grupo, se discutiu sobre quais seriam as prioridades a serem trabalhadas durante este ano. Alguns temas que já são debatidos pela articulação apareceram com mais intensidade nas falas dos participantes. Entre eles estão o debate sobre a assistência técnica rural (ATER), a terra e o fortalecimento institucional.

Demais temáticas como segurança alimentar, comunicação e gênero,também foram apontadas como importantes pelos grupos. Não perdeu-se de vista a dimensão da convivência com o semiárido e os processos de formação como linha principal a ser mantida pela ASA.

Para estimular o andamento das questões dentro da rede, foram criados  grupos de trabalho, que irão fomentar os debates e a realização de atividades.

28 janeiro, 2015

Agricultoras solicitam momentos de formação para ampliar conhecimentos

Foi realizado um dia campo. A atividade aconteceu na Comunidade Mandacaru.

Por Daiane Almeida

As mulheres agricultoras de Serrinha apresentam e comercializam os produtos de seus quintais na Feira Agroecologia, espaço que conquistaram e que hoje dividem com a feira tradicional do município. Interessadas em ampliar seus conhecimentos sobre técnicas de produção e tirar dúvidas, elas solicitaram que fosse realizado momentos de formação, principalmente aquelas que não recebem assistência técnica. A APAEB Serrinha em parceria com o MOC realizou dois dias de campo com as agricultoras. O primeiro aconteceu dia 19 de janeiro, e o segundo no último dia 26.

O dia de campo é uma metodologia que envolve prática, onde as pessoas interagem e tiram dúvidas, trocam experiências. No dia 26 a atividade aconteceu na casa de Dona Catarina dos Santos, lá, as agricultoras das comunidades Canto, Salgado, Vertente, Mandacaru, Recanto e Sucupira 2,  aprenderam algumas técnicas como o canteiro econômico, a batata de salvação, o canteiro candeeiro, compostagem e curtição do adubo.

Cerca de  30 pessoas participaram da atividade, entre elas, Roseli Silva, da Comunidade Sucupira, segundo ela é preciso correr atrás do conhecimento. “Eu fui disposta a ensinar algumas coisas e acabei aprendendo muito mais. A horta econômica eu já conhecia, mas de outro jeito. É importante aprender coisas que você não sabe, conhecer tecnologias e correr atrás do que a gente ainda não tem, buscar conhecimento”.  Na barraca que ela ocupa na feira agroecológica é possível encontrar frutas e hortaliças todos os sábados pela manhã.

As mulheres contaram com a contribuição de Edcarlos Almeida, técnico que facilitou esse momento de troca de conhecimentos, que
explicou quais materiais são necessários e qual a utilidade de cada uma para a produção de alimentos e gestão da água. Durante entrevista para o blog da APAEB Serrinha ele explicou com detalhes:


Daiane Almeida - Qual o objetivo de realizar um dia de campo com os agricultores?

Edcarlos Almeida - Os agricultores estavam com duvidas sobre a quantidade adubos, controle de pragas percebemos que eles estavam com dificuldades, então a atividade foi pra contribuir nesse sentido, e com o foco na agroecologia.

D. Almeida - Como se faz um canteiro econômico e qual a sua utilidade?

Canteiro econômico



E. Almeida – Conversamos e fizemos na prática o canteiro econômico. Utilizamos bloco, lona, cano pvc, telhas, joelho, cap, palhas de feijão, terra vegetal (quixaba), esterco de ovelhas. Ele é chamado econômico ou água no ponto certo, pois tem o objetivo de economizar a água e o tempo, já que a família não precisa perder tempo regando o canteiro. Outro objetivo do canteiro é que no período chuvoso é possível drenar a água caso o terreno seja inundado.


D. Almeida - Por que importante curtir o esterco antes de usar diretamente como adubo na hortaliça?

E. Almeida - Por que ele não consegue cumprir sua função sem passar pelo processo de curtição. Escolhemos um local com sombra, colocamos uma quantidade de esterco, molhamos e reviramos durante 12 dias, ao final desse tempo ele perde o cheiro forte de urina e adquire o cheiro de capim molhado, quando chega nesse ponto já pode ser utilizado.

D. Almeida - Como deve ser feita a compostagem?

E. Almeida - Escolhemos um local a sombra, começamos com uma camada de esterco, em seguida uma camada de folhagem verde, restos de comida, casca de fruta, restos da horta, alternando esse material.  A cada camada, devemos colocar água. Ao final ele fica em forma de pirâmide. Após oito dias descansando faz a primeira viragem . Lembrando que antes da viragem coloca alguma ferramenta de trabalho como vergalhão ou até mesmo facão no meio da compostagem por período de 10 minutos para sabermos a temperatura e como está se dando o processo de decomposição.
Após esse tempo se a ferramenta estiver muito quente ao revirarmos devemos jogar mais água, se estiver frio devemos colocar esterco fresco, se estiver morno significa que o processo de decomposição está indo bem. Repete-se essa observação a cada 05 dias. Após 70 dias ou o desaparecimento de todos os seus ingredientes, a compostagem poderá ser usada na adubação.
Canteiro candeeiro

D. Almeida – Como funciona a técnica do Canteiro Candeeiro?

E. Almeida - O material utilizado é uma garrafa pet e um pavio que pode ser feito com pano. Corta-se a garrafa ao meio, na parte afunilada, que corresponde a boca da garrafa, põe-se o pavio, passando pelo gargalo até a sua extremidade, coloca-se  terra vegetal adubada. Na parte cortada que corresponde ao fundo da garrafa, será colocada água e servirá de  suporte da parte afunilada. Lembrando que o pavio deverá ter contato com a água. Podemos plantar na parte afunilada diversas hortaliças como alface, coentro, cebolinha, hortelã, pimenta, pimentão entre outros.  O pavio irá transportar a água para as raízes dessas culturas.


D. Almeida – A batata de salvação é uma técnica que também utiliza a garrafa pet, qual a sua utilidade e como pode ser praticada?

Batata de salvação
E. Almeida - Ela serve para molhar as raízes de plantas frutíferas. O material utilizado é uma garrafa pet, isopor, canudo  e um pavio. É preciso fazer um pequeno furo próximo ao gargalo ou “pescoço” da garrafa onde será introduzido o pavio. Um pedaço de isopor é colocado dentro da garrafa, em seguida é furado pelo canudo, formando uma boia. Através dessa boia é possível saber o nível da água. A batata-de-salvação é colocada dentro da cova da árvore frutífera, logo no ato do plantio. Ela funciona da seguinte maneira: o pavio transportara a água de dentro da garrafa para as raízes, que aproveita somente o necessário para a sua sobrevivência e produção de seus frutos, num processo de capilaridade. Caso o canudo esteja baixo, significa que a garrafa está seca e necessita repor a água pela abertura da garrafa.

D. Almeida – Qual a sua avaliação sobre o dia de campo?

E. Almeida - Diante de todo o trabalho durante o dia, as agricultoras expuseram suas ideias, dificuldades, e suas dúvidas nos seus processos de produção de alimentos dentro do seu sistema produtivo familiar. Dentro das reuniões de planejamento e discussões da feira éramos muito questionados para uma formação sobre produção de alimentos agroecológicos, controle de pragas, plantio, transplante e colheita. Surgiram sugestões de realizarmos mais formações, também sobre manejo de pequenos animais. Foi um momento muito rico de participações e troca de experiências entre as agricultoras.

15 janeiro, 2015

Comunicação popular e comunitária no centro do debate

Encontro refletiu sobre a comunicação feita na rede ASA BA e nas comunidades rurais, tendo a participação dos agricultores/as como destaque. 

Por Daiane Almeida


Evento foi marcado por momentos de mística e animação entre os participantes
A comunicação comunitária e popular desenvolvida pela rede de comunicadores,  organizações da ASA e agricultores/as  tem se mostrado uma forte aliada na luta pela convivência com o semiárido, neste sentido, foi  o tema central de debate Encontro de Comunicação da ASA Bahia, realizado entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Feira de Santana , que também abriu espaço para a discussão acerca da democratização e do direito a comunicação.

A participação dos agricultores/as trouxe a tona o debate sobre quais as formas e quais os espaços são utilizados por eles/as nas comunidades rurais para se comunicarem. Eles/as traçaram uma linha de como era antes e o que mudou. O grupo destacou os avanços, mas também trouxe algumas limitações, como a dificuldade de acesso a sinal de telefonia e internet, bem como o controle de rádios comunitárias por grupos de interesses.

Naidison Baptista, coordenador da ASA -BA
Durante a participação de Naidison Baptista, coordenador executivo da ASA pelo estado da Bahia, ele ressaltou a dimensão do papel da comunicação popular para rede e para a vida dos agricultores/as.  “A comunicação é uma proposta política. Uma tarefa política. A nossa comunicação é a favor da sociedade que nós queremos construir. Comunicador popular é para estar a serviço da causa da inclusão, da sociedade que queremos. Esse é o meu campo enquanto comunicador popular”.

Seguiu ressaltando em sua fala: “Construir a sociedade que a gente quer, dá trabalho. A ASA tem um diferencial e esse diferencial quem faz são os agricultores/as. A nossa comunicação tem que tá desse lado, o da inclusão. É a comunicação enquanto proposta política de instrumento de inclusão. Nisso temos duas proposta: para mudar o mundo: temos que anunciar e denunciar. Isso é comunicação”.


Delaídes Paixão (Dedé)
Na metodologia do encontro, a apresentação das experiências de comunicação  ganharam destaque durante o segundo dia do evento. Jovens rurais do projeto Comunicação Pelos Direitos apresentaram a experiência da Rádio Poste na Comunidade Lagoa Grande, no município de Retirolândia.  Outra experiência de comunicação popular ficou por conta da Radio Curaçá FM, que realiza um trabalho comunitário com objetivo de dar destaque ao potencial e também aos desafios do lugar.

Curaçá fica a 90 km de Juazeiro. O trabalho com a rádio comunitária é desenvolvido desde 2005, e vem dando certo segundo Delaides Paixão, Dedé. “A rádio vai fazer 10 anos, e foi feita especialmente para comunidade. O povo tem visto a necessidade de uma comunicação comunitária que seja provocadora dos direitos de cada um nas nossas discussões. A comunicação é um direito de fato, mas ela tem que chegar com qualidade de fato, e chegar para todas as pessoas, a gente quer a perfeição, não vamos chegar, mas a gente busca”, afirmou Dedé, que é integra a diretoria da rádio.

Segundo Breno Santiago, que apresentou a experiência do Projeto Comunicação pelos Direitos, que tem o apoio do MOC, um dos objetivos do projeto é denunciar as violações aos direitos das crianças e adolescentes em 10 comunidades rurais de municípios da região do Sisal.

Antônio Jorge (Café)e Breno Santiago
Ele também explicou como funciona a rádio poste. “Existe uma comissão gestora na comunidade, associações, igrejas, professora e o grupo de jovens e na sede do município que são os sindicatos, Conselho Tutelar. Dentro do projeto existe uma rádio poste de alto-falante que eu e Paulo César [outro integrante do projeto] trabalhamos nessa rádio. Desenvolvemos programas voltados para os diretos das crianças e dos adolescentes. As crianças participam. Lá fala sobre trabalho infantil, gravidez na adolescência, todos esses temas sobre exploração dos direitos das crianças. O projeto existe em 10 cidades”.


A atividade foi finalizada com a construção de linhas e ações que poderão ser utilizadas durante o ano de 2015 para fortalecer a luta pela convivência com o semiárido através da comunicação popular realizada através das ações da Articulação Semiárido na Bahia.


22 dezembro, 2014

Mais Água: intercâmbios mostram um Semiárido de prosperidade e oportunidades

por Arlene Freire

Histórias de perseverança e sucesso não faltaram na semana de intercâmbios realizada pela APAEB Serrinha, nos últimos dias 15, 16, 18 e 19, com agricultores (as) do Projeto Mais Água. Dois grupos de agricultores conheceram propriedades nos município de Serrinha, Riachão do Jacuípe, Caém e Jacobina e trocaram experiências sobre a produção de hortas econômicas, captação e armazenamento da água e muitas outras formas de conviver com o Semiárido.

Na primeira visita, agricultores dos municípios de Anguera e Ipecaetá, conheceram hortas econômicas, sistemas de captação e armazenamento de água da chuva, produção de ração, para caprinos, ovinos e aves, e várias técnicas desenvolvidas para tornar possível a convivência com a estiagem, em Serrinha e Riachão do Jacuípe.

Na propriedade do agricultor experimentador, Abelmanto Carneiro, os visitantes conheceram bombas d’água feitas pelo próprio Abelmanto, um sistema de biodigestão, usado para produzir gás de cozinha, além de diversas tecnologias usadas para armazenar água da chuva. Interessados em levar novos conhecimentos para aplicar em suas propriedades, os visitantes prestavam atenção a cada detalhe apresentado, perguntando a cada dúvida e compartilhando suas próprias experiências.

                      Atentos, os agricultores prestam atenção em todos os detalhes

O agricultor Antônio Gonçalves, da comunidade de Guaribas, município  de Anguera, lembrou que alguns dias antes assistiu uma reportagem sobre a propriedade de Abelmanto e ficou muito feliz por conhecer pessoalmente o agricultor e suas experiências.

Empolgado com as novidades, Seu Antonio testa a bomba giratória, feita por Abelmanto
Animado, representante da Comissão de Recursos Hídricos do município de Anguera, Genário Pinheiro, disse que deseja ver todo o conhecimento oferecido pelos encontros sendo empregados nas comunidades. 

No segundo intercâmbio, realizado nos dias 18 e 19, nos municípios de Caém e Jacobina, mais histórias de persistência e sucesso foram apresentadas aos agricultores dos municípios de Serra Preta, Ipirá, Feira de Santana e Tanquinho.

Na primeira parada em Caém, os visitantes conheceram a família de Dona Maria Carolina da Silva Costa. Filha de agricultores já falecidos, ela contou emocionada que seus pais sofreram muito com a falta de água e hoje a família comemora a chegada das cisternas.

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Ainda na comunidade de Caém, os agricultores conheceram a história do casal Aparecido Calegari e Janete Rodrigues, que depois de começarem a produzir hortaliças, decidiram mudar de vida e investir na atividade.

Janete, que é agente de saúde começou a mobilizar a comunidade, no intuito de fortalecer a associação comunitária local. Eles contam que no começo haviam menos de dez associados e hoje a associação conta com a presença de 80 sócios.



Na horta, Aparecido mostra aos visitantes a plantação de gengibre, almeirão, açafrão e um diversidade de plantas que cultiva e  vende 
Satisfeito, Aparecido conta que abandonou o emprego na cidade para se dedicar ao trabalho e que pretende viver da agricultura familiar. Tudo o que é produzido na propriedade, é comercializado nas feiras orgânicas dos municípios de Caém e Jacobina.

Outra propriedade visitada foi a de Seu Givaldo de Jesus Silva, que sempre viveu da atividade agrícola. Ele conta que a chegada da água é a realização de  um sonho antigo.
A agricultora Maristela Pereira, da comunidade de Caroá em Feira de Santana, diz que as ações do  Mais Água estão contribuindo para a melhoria de vida de muitas famílias, que agora tem como produzir seu próprio alimento. Contente com o barreiro trincheira que recebeu, ela revela que tem planos de cultivar muitas frutas e hortaliças.

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No segundo dia de atividade, os agricultores conheceram a Feira Orgânica de Jacobina e um pouco da sua história. Os agricultores tiraram dúvidas sobre o processo de comercialização e organização de grupos para a implantação da feira e as plantas cultivadas na região. Eles também aproveitaram para comprar temperos e hortaliças que não encontram em suas comunidades.







19 dezembro, 2014


16 dezembro, 2014

Expectativas pela produção de alimentos e aprendizados animam agricultores/as durante curso do GAPA

Por Daiane Almeida

“Dá. Tudo dá certo. Eu ainda não tenho a cisterna, mas já tenho muita coisa plantada”, foi nesse clima de animação que Dona Maria Júlia Bispo e outras agricultoras e agricultores participaram nos dias 10,11 e 12 de dezembro do curso de Gestão da Água para Produção de Alimentos, do Programa Uma Terra e Duas Águas, executado pela APAEB no município de Serrinha.

Com a expectativa de construir novos conhecimentos, eles/as estavam atentos a cada informação trazida por Abelmanto Carneiro, agricultor familiar e monitor da atividade. Os tipos de solo e suas características; o uso da água para criação de animais e no cultivo de hortaliças; as tecnologias de armazenamento de água; a cultura do estoque de alimentos, esses e outros temas provocaram  debates durante os três dias de curso.

Abelmanto Carneiro, monitor e agricultor familiar
Abelmanto também chamou atenção para a necessidade de se perceber que uma propriedade é um sistema integrado e que pode estar em harmonia. “Se você cultiva a hortaliça e cerca ao redor, você pode criar a galinha. Da horta você se alimenta e alimenta a ave também. Da ave você consome e vende os ovos e ainda tira a renda. Se eu tenho cabras e preciso produzir a ração e não tenho milho e nem posso comprar, eu uso o farelo de palma, que pode ser desidratada na área da calçada da cisterna”, explica Abel, que interage e responde aos questionamentos.



Dona Maria Júlia
Dona Maria Júlia traz em meio à discussão que de tudo ela tem pouco, mas que a esperança é aumentar a produção depois da conquista da cisterna-calçadão. “Depois que eu tiver água na minha cisterna quero ampliar ainda mais. Já criei muita galinha, e de tudo tenho um pouco: alface, coentro, cebolinha, pimentão, manga, laranja, cajueiro, goiabeira, mamão e hortelã. Vendo na feira de sábado e ganho meu dinheirinho extra. Minha família é muito grande. Eu ajudo eles também. Nem eu, nem meus filhos compramos hortaliças e verduras. É sem veneno e econômico”, ressalta Dona Maria Júlia, sobre a produção de alimentos naturais direto do quintal de casa.

Quem já tem uma tecnologia funcionando sabe o quanto pode ser útil para melhorar a produção e qualidade de vida da família. Jucicleide Ramos Santos é líder da Associação na Comunidade Barra do Vento e conquistou a cisterna de produção em 2012. Ela acompanhou os vizinhos da comunidade durante o curso, e contou como a qualidade de vida da sua família melhorou.

Jucicleide Ramos
 “Tenho minha produção de horta, criação de galinhas e frutas para o consumo da minha família. Minha vida mudou muito. Eu pegava água no tanque do vizinho e era briga por que ele achava que a gente tava acabando a água dele. Na minha comunidade não tinha associação. Minha mãe era sócia na comunidade vizinha. Aí eu me animei e fundamos em 2007 a associação da nossa comunidade. Fizemos rodas de conversas com os moradores. A partir daí começamos a lutar pelos projetos e hoje quase toda a comunidade tem acesso as tecnologias de água. Dessa vez serão mais oito cisternas construídas”, conta a presidente da associação Jucicleide Ramos.

Participaram da atividade 34 agricultores e agricultoras das comunidades Vertente, Maravilha, Canto, Cruzeiro da Paz, Barra do Vento e Salgado.

26 novembro, 2014

Alegria e celebração marcaram a comemoração dos 15 anos da ASA na Bahia

por Daiane Almeida

Ampliando a resistência!Fortalecendo a convivência!Viva ASA Brasil


Era meio dia pontualmente, ao soar de buzinas, teve início a ação de comemoração pelo aniversário de 15 anos da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). Em clima de muita alegria, cerca de 100 pessoas de diversas regiões do estado se reuniram no centro da cidade de Feira de Santana, na Bahia, no dia de hoje (26), para a realização do flash mob, ação rápida que cumpriu o objetivo de mexer com a rotina da cidade e em 7 minutos chamar a atenção das pessoas para o tipo de alimentação que elas têm acesso e para a questão da água que é usada na sua produção. A atividade celebrou a trajetória de trabalho da ASA e de construção de alternativas para convivência com o semiárido junto ao povo sertanejo.

5 milhões de pessoas com acesso à água potável no campo!
A problematização do tema aconteceu a partir da distribuição de 500 kits de alimentos orgânicos e agroecológicos da agricultura familiar, produzidos por cooperativas e grupos de produção de diversos municípios do estado baiano, filiados ao Armazém da Agricultura Familiar. As pessoas que passavam no local em transportes ou caminhando puderam levar os kits com mel agroecólogico, fubá orgânica, sequilhos e geleia de umbu.

Kits de alimentação foram distribuídos
Agricultores familiares que participaram da ação exibiram a produção de hortaliças e o processo de irrigação com regadores, que ao final também foram distribuídos. Com faixas e dizeres como:  “Para 800 mil mulheres do semiárido, lata d’água na cabeça é coisa do passado” ou ainda “Se o campo não planta, a cidade não janta”,  as pessoas que circularam pelo local puderam visualizar as mensagens produzidas pelo grupo, receberam panfletos e outros materiais informativos, além dos kits. Os mais interessados mantiveram um diálogo na busca de informações sobre o que é ASA e qual sua proposta de trabalho.

Geovanio Silva, jovem agricultor familiar do município de Retirolândia e animador, sentiu-se valorizado com a ação. “Despertou a curiosidade do público, as pessoas perguntaram o que era, o porquê da distribuição, pessoas perguntando como conseguir a cisterna. Foi importante ver a distribuição dos produtos da agriculta familiar. É bom saber que os nossos produtos são valorizados com o apoio da ASA (Articulação do Semiárido Brasileiro)”, afirmou.

Agricultores/ as agricultoras familiares


A inovação na forma de discutir a temática, e chamar a atenção de pessoas em um centro urbano de médio porte para questões importante com a água para produção de alimentos foi avaliado de forma positiva.  “Distribuímos produtos sem agrotóxicos, da agricultura familiar, as pessoas se interessaram para saber o que era e também queriam conhecer mais sobre a ASA. Acho que cumpriu a proposta de levar a mensagem do trabalho que a ASA desenvolve. É uma forma inovadora de falar sobre um tema”, opinou Arlene Freire, comunicadora popular.

Com frases e palavras de ordem como: “É no semiárido que a vida pulsa! É semiárido que o povo resiste” e muita animação, foi finalizada a ação, que também aconteceu em Minas Gerais e nos demais estados do Nordeste.