22 agosto, 2014

Apaeb Serrinha participa de ação solidária em escola na comunidade de Tanque Grande

Por Mirian Oliveira


Crianças de divertem enquanto escolhem as cartilhas


‘’Gentileza gera gentileza’’, esse foi o tema da II Ação Solidária promovida pela Escola Maria Nazaré Campos Araújo no povoado Tanque Grande no município de Serrinha.  O projeto teve como objetivo promover  atividades sociais para comunidade local e circunvizinhas além da socialização dos alunos com a comunidade e a participação da família na escola e prestação de diferentes serviços para comunidade.

 O projeto já vinha desde o dia 12 de agosto mas foi no dia 21(quinta-feira) que a APAEB Serrinha participou levando a comunidade de Tanque Grande e circunvizinhas, através do coordenador Moisés Inácio Rios informações sobre tecnologias de captação de água,técnicas de irrigação,sustentabilidade,distribuição de cartilhas sobre o semiárido,agroecologia,cuidados com o solo entre outros.
Moisés Inácio mostrando um das técnicas de irrigação 

O stande montado pela Apaeb Serrinha não foi visitado apenas por adultos que estavam curiosos para saber como faziam algumas técnicas de irrigação que estavam a mostra, ou até mesmo como conquistar uma tecnologia social mas também,por dezenas de crianças que foram conquistadas pelas cartilhas expostas. O mais importante disso é que elas não iam apenas pela capa,algumas chegavam a ler, e de cara se interessavam pelo conteúdo,o qual se tratava de assuntos voltados para o nosso semiárido, daí já notamos que a realidade vem mudando,as crianças já se interessam sobre o assunto,como relata a coordenadora Cíntia Cerqueira.

Cíntia,coordenadora Pedagógica
‘’ Em todas as atividades desenvolvidas na escola a gente tenta fazer com que eles vejam a importância do local onde eles vivem,de que o campo é um local,não é um sub local. É um contexto geral, não existe um direcionamento: a educação do campo, a gente procura ver a educação do campo em todas as disciplinas. Trouxemos esse órgãos,sindicatos, a própria APAEB a fim de conscientizar e mostrar que esses orgãos existem. E que eles (alunos)tem valor pelo local onde eles vivem.  E trazer essa conscientização que o local onde se vive,é um local bom de se viver, adequado, eu posso crescer aqui’’,comenta Cíntia.
Dona Maria Anelice Ramos moradora da comunidade de Boa Vista,agricultora,mãe de Ronaldo de 13 anos,trouxe junto com o filho caxixe,coco,milho,couve,produtos produzidos na propriedade dela para a Feira da Agricultura Familiar organizada pela Escola  Antônio Alves da Silva. Dona Maria destaca na fala que a importância do alimento sem veneno.

Dona Maria e seu filho exibe os frutos
da sua propriedade
‘’Incentivo bastante o Ronaldo,pois fui criada com tudo da roça,meu pai me ensinou.É uma alimentação natural,sem química,colhida da roça. Tava prestando atenção aqui no que o rapaz falou sobre a irrigação pra ele me ajudar a fazer em casa,ele já me ajuda muito.Assim ele aprende a viver a vida’’,diz dona Maria.

A II Ação Solidária teve fim nesta sexta-feira(22) com festejos folclóricos da região,durante os dias do projeto dezenas de pessoas puderam realizar serviços como:

  •       Aplicação de flúor e orientações
  •      Aferição de pressão
  •      Testes rápidos de glicemia,HIV,sífilis
  •       Confecção de carteiras de identidade,CPF,Carteira de Trabalho
  •       Dicas de sustentabilidade
  •        Exposição de técnicas agrícolas

   Entre outras.

19 agosto, 2014

Agricultores Familiares de Serrinha debatem cooperativismo

Por Arlene Freire

Aproximadamente 50 agricultores e agricultoras familiares se reuniram hoje (19), na sede da Cáritas Diocesana, em Serrinha, para debater o planejamento estratégico da Cooperativa de Produção e Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar e Economia Solidária de Serrinha (COOPAFSERRINHA) para os próximos 3 anos.

Na abertura do evento um café da manhã com produtos da agricultura familiar foi oferecido aos presentes, como forma de divulgar o que é produzido e comercializado pelos associados da COOPAFSERRINHA. Algumas delícias como bolo de tapioca e fubá, sequilhos e pães de queijo fizeram parte do cardápio.  

Café da manhã com produtos da agricultura familiar
A Cooperativa reuniu parceiros e cooperados para apresentar um balanço do trabalho realizado desde a criação da cooperativa, em 2011, e firmar um acordo com objetivo de fortalecer todo o processo de produção e comercialização dos produtos.

De pé, Neilton dá as boas vindas aos participantes do evento
O Presidente da COOPAFSERRINHA, Neilton Miranda, afirmou que a cooperativa está crescendo, mas ainda há muitos obstáculos que dificultam a realização do trabalho. Segundo ele o apoio dos parceiros é fundamental para que essas dificuldades sejam superadas.

As diretoras da APAEB Serrinha, Ivoneide Santos e Tereza Rocha, e o colaborador Luiz Lisboa, também presentes no encontro, reafirmaram a parceria com a cooperativa e destacaram a importância do trabalho que vem sendo desenvolvido com os agricultores.


Para Ivoneide Santos, o crescente número de agricultores familiares envolvidos na produção e comercialização demonstra a força da cooperativa no município. Ela acredita que muitas conquistas estão por vir.

Tereza Rocha destacou que um dos desafios da COOPAFSERRINHA é inserir, em seu quadro de associados, agricultores que já produzem e não conseguem escoar a produção. E pediu uma atenção especial para esses produtores.

Os cooperados avaliaram a aprovaram, por unanimidade, o planejamento estratégico da cooperativa. Entre as prioridades do plano estão a melhoria da qualidade dos produtos, a ampliação do quadro de associados e a adequação dos espaços de produção às normas vigentes.


Luiz Lisboa acredita que o fortalecimento da cooperativa deve ser feito através da implementação de políticas públicas e para isso é preciso envolver entidades da sociedade civil e órgãos do poder público local nos debates.

Outro desafio para a entidade é ampliar a participação de homens e jovens na cooperativa. Neilton afirmou que atualmente só 7% dos cooperados são homens e 3% jovens.

Ainda durante o evento, um balanço financeiro da entidade foi apresentado pela diretora financeira, Gildete Silva.
Diretores posam para a foto no final do evento

Experiências de agricultores familiares são destaque em Simpósio sobre Captação de Água da Chuva

Por Daiane Almeida

Durante os dias 12 e 15 de agosto um público diversificado participou do 9º Simpósio Brasileiro de
Captação de Água da Chuva, na Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia. Pesquisas e experiências de captação de água da chuva no Brasil e em alguns países como Somália, Austrália, Peru e Japão foram apresentadas e intercambiadas a partir do tema “Água da Chuva: segurança hídrica para o século XXI”.  O objetivo do evento era refletir o papel da água da chuva para o abastecimento da sociedade frente a problemas de poluição e escassez.

No último dia do evento, uma mesa composta por quatro agricultores experimentadores, entre eles, Abelmanto Carneiro, de Riachão do Jacuípe, Edmar Andrade da Paraíba, José Barbosa de Sobradinho e Geovanio Silva de Retirolandia, mostrou na prática como a população do semiárido vem enfrentando a questão climática na região. Cada agricultor apresentou o trabalho que desenvolve na sua propriedade, e como as tecnologias sociais contribuem para a segurança hídrica do seu sistema.

Edmar Andrade, Paraíba
A importância das tecnologias sociais para o armazenamento da água da chuva no semiárido somadas a outras práticas como o estoque de alimentos, utilização de técnicas de adubação, criação de animais e a produção de alimento para o consumo e a comercialização mostraram que é possível uma convivência qualificada com os fatores climáticos.

“Depois que eu ganhei essa cisterna já melhorou alguma coisa, se antes a gente tinha que comprar a água, agora a gente aprendeu a armazenar e aí gente vai sobrevivendo no semiárido”, disse o experimentador Edmar Andrade durante sua apresentação.

Abelmanto Carneiro, Riachão do Jacuípe
As práticas de convivência com o semiárido, preservação do bioma caatinga e a capacidade de experimentar e inovar com técnicas desenvolvidas pelo próprio agricultor foram evidenciadas também na fala Abelmanto Carneiro. “Hoje vivo muito bem, com as engenhocas que facilitam nosso trabalho, com a produção de ração que a gente consegue estocar, e a capacidade de garantir a segurança hídrica em minha propriedade, pois temos como armazenar mais de 3 milhões de litros. Hoje a gente pode dizer que vive bem no semiárido”, ressalta o agricultor experimentador.

A diversidade de produção do semiárido se expressou também na apresentação de Geovanio Silva,
Geovânio Silva, Retirolândia
agricultor e animador do Programa Uma Terra e Duas Águas da Articulação Semiárido, executado pela APAEB Serrinha. A produção de hortaliças e plantas ornamentais na propriedade da família mostra que o acesso a água é fundamental para garantir a diversidade da produção. “ Nós queremos dizer aos agricultores que é possível sobreviver bem no semiárido, que aqueles que conquistaram uma tecnologia se animem a produzir com a máxima eficiência, para que se perceba que a gente pode ter uma vida digna se tiver políticas para o campo”.

Surge o Simpósio – No início dos anos 1990, o Instituto da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), organizações não governamentais e outras de base comunitária iniciaram a construção de cisternas e ao mesmo tempo perceberam a necessidade de criar um programa que estimulasse a convivência com o semiárido e o manejo adequado da água. Foi então que em 1997, aconteceu em Petrolina, o primeiro simpósio organizado pelo IRPAA e EMBRAPA.
João Gnatlingee, IRPAA

Embora na atualidade o simpósio seja uma das referências de discussão e apresentação de pesquisa sobre a temática, João Gnatlingee, que representa o IRPAA no evento, chama atenção para a necessidade de maior participação das organizações da sociedade civil. “Antes as universidades eram ausentes, hoje estão muito envolvidas, e a sociedade civil deve aproveitar das pesquisas e melhorar ainda mais seu trabalho, além de ampliar ainda mais sua participação”.

Também destacou a importância da participação dos agricultores experimentadores e do intercâmbio com outros países. “Nessa apresentação dos agricultores experimentadores vejo um avanço muito grande. A apresentação da propriedade produtiva até nos anos da estiagem é uma coisa muito boa, isso é um progresso muito grande. Vieram pessoas da África, Somália,  com suas experiências de criação de pasto, algo muito semelhante ao que se faz aqui. Eles disseram que podem aproveitar as experiências para eles lá. Tem essa troca, na África eles já pensam em levar alguém daqui para contar lá nossa experiência, levar produtores”, informou João Gnatlingee.

O evento se encerrou com visitas de campo às tecnologias sociais construídas pela ASA e APAEB no município de Serrinha. Os representantes dos países já citados, além dos demais participantes conheceram de perto as experiências das famílias que conquistaram barreiros, cisternas-calçadão e de enxurrada.

04 agosto, 2014

“A gente tem que correr atrás do sonho”

Por Daiane Almeida


Visita à propriedade de Denise é parte prática do SISMA

O processo de formação que as famílias vivenciam durante os cursos do P1+2 fortalece os sonhos de quem deseja ampliar a produção de alimentos em suas casas. A cada conversa o interesse é despertado, a cada visita às propriedades de outros agricultores renasce a vontade de produzir com mais qualidade o próprio alimento, visando não apenas a comercialização, mas a segurança nutricional em primeiro lugar. 

As famílias acompanhadas pela APAEB Serrinha, que participam do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), viram de perto  na manhã do dia 1º de agosto a experiência de Denise Calçada, da Comunidade Intrude, em Serrinha. Ela e o irmão trabalham na produção de hortaliças e plantas ornamentais na propriedade da família. Denise comercializa para a merenda escolar, na feira, e em casa, onde os vizinhso estão sempre comprando. A atividade fez parte do curso de Sistema Simplificado Para Manejo de Água  (SISMA).

“A gente não pára, comercializa para prefeitura, vende em casa, na feira, a gente tem que correr atrás do sonho. Quero que os meus filhos estudem, mais que não perca o foco da roça”, disse Denise.
Denise conta sua história de vida aos visitante em baixo do
cajueiro, lugar onde costuma se confraternizar com a família

Ela é mãe, cuida da casa e do trabalho na roça, e ainda ensina valores que acredita serem fundamentais para a formação dos seus filhos. “Eu digo aos meus filhos que o saber você pode ter os dois. Você pode ter um bom emprego sem deixar a raiz da terra. É bom ter estudo, mas não esquecer de onde a gente vem. Tem gente que vai para a cidade grande e esquece de onde vem”, ensina Denise.

Esse sentimento de amor pelo que faz contagiou quem ouviu Denise contar um pouco mais sobre a sua história e como sua mãe, já falecida, foi o seu maior exemplo de amor pelas flores e pelo trabalho na roça. Dona Mártires Silva de Jesus, que ouvia tudo com atenção sentiu de perto a força dessa história. “Importante né, cria na gente a vontade de fazer também. Depois que a gente vê cria aquela coragem, vontade de lutar. Gostei do clima, do trabalho maravilhoso dessa mulher [Denise], do cuidado que ela tem com a terra, de ajudar as pessoas a comer uma comida especial, natural, livre de doenças”, ressaltou Mártires, da Comunidade Cruzeiro, em Serrinha.

Sistema de irrigação
Embora no mesmo município, as diferenças de solo, as técnicas de irrigação utilizadas, chamaram logo a atenção do grupo. Toda Mariana de Sousa, que mora na Comunidade Contenda, também em Serrinha logo destaca que o seu solo é mais seco, por isso ela pretende ampliar a criação de galinhas. “Essa visita eu achei uma benção, eu fiquei muito feliz! Aqui é tudo diferente, o terreno é fofinho, o que planta aqui dá. Lá na minha comunidade a terra é seca. Eu crio galinha para o consumo da família, e agora eu quero criar mais ainda para vender”.

Os sonhos se confundem, pois o desejo de todos é o mesmo: ter água para produzir alimento e se manter no chão onde nasceu. Por isso as tecnologias sociais se somam ao esforço das famílias para contribuir para que este sonho se concretize.

O consórcio ajuda a economizar água



Cultivo de cebolinha consorcida com flores

“O meu sonho é aqui mesmo, cidade grande nunca gostei de ir. Só em caso de doença. Então eu sou muito feliz aqui onde eu moro e agora graças a Deus com essa tecnologia que tá chegando aí, a gente tá mais alegre. Com o que a gente ganhou [barreiro trincheira] já tá mudando a vida da gente. Quanto mais tecnologias a gente ganhar e quanto mais a gente tiver melhor, por que a gente tem uma coisa: vontade de trabalhar! A gente só tem é que agradecer!” encerra Denise,  com vontade de ficar mais tempo contado sua história e  ouvindo outras tantas, mas o dever de buscar os filhos na escola finaliza mais um momento de visitas em sua propriedade.


25 julho, 2014

APAEB Serrinha participa de debate sobre o uso e gestão de recursos hídricos

Por Arlene Freire



As diretoras da APAEB Serrinha, Ivoneide Santos (presidenta) e Tereza Rocha (Tesoureira) e o colaborador Luiz Lisboa, participaram ontem (24) da oficina para debater a gestão e o uso da água e apontar soluções para as dificuldades e conflitos relativos ao tema. Esta foi a terceira de quatro oficinas, definidas como instrumento de coleta de informações, para a elaboração do Plano de Recursos Hídricos e Proposta de Enquadramento dos Corpos de Água (rios, riachos, e outros) da Bacia do Recôncavo Norte e Inhambupe, que deve ficar pronto até o final de 2015.

Realizada no Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares de Serrinha, a atividade contou com a participação de representantes de Água Fria, Barrocas, Biritinga, Irará, Lamarão, Ouriçangas, Pedrão, Santa Bárbara, Santanópolis, Sátiro Dias, Serrinha e Teofilândia, alguns dos municípios que integram a Bacia.

Dividido em dois momentos, o encontro foi aberto com palestras sobre o tema e finalizado com a apresentação dos trabalhos de grupo sobre os seguintes temas: Envolvimento da sociedade e dos poderes públicos no uso e conservação dos recursos hídricos; Influência do meio ambiente nos recursos hídricos; Quantidade e acesso aos recursos hídricos: situação atual e tendências; Qualidade dos recursos hídricos na região (superficiais e subterrâneos); Usos múltiplos das águas e atividades econômicas na região; Conflitos sociais em relação ao uso dos recursos hídricos e Gestão participativa das águas e Comitês de Bacias.

A próxima oficina acontece hoje, em Feira de Santana. Também serão realizadas audiências públicas para a elaboração do Plano. O Plano deverá fundamentar e orientar a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos.




Grupos debatem temas

21 julho, 2014

Famílias do município de Queimadas se animam com a conquista dos primeiros barreiros trincheiras

Por Mirian Oliveira

‘’Tô pedindo a Deus que mande o bom tempo para encher. Quero Plantar uma cova de abóbora, uma cova de quiabo’’

Família cunha contemplando o barreiro
A 18 km do município de Queimadas, na comunidade de Pedrolândia,foram feitos os primeiros barreiros do Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2. Por lá já foram entregues  04 dos 10 barreiros dos destinados ao município de Queimadas. A comunidade apesar do inverno, período mais propício a chuvas, tem sofrido bastante com a longa estiagem. As famílias dependem do abastecimento constante de água através de caminhões pipas, mas depois que conquistaram o barreiro trincheiro passaram a ver mais uma possibilidade de armazenagem de água tanto para produzir como também para dessedentarão animal.

Um dos primeiro barreiros a ficar pronto, foi o do casal dona Josefa Cunha e seu Manoel Cunha, eles são casados há 54 anos e vivem com dois netos. Cheio de esperanças e com certo pudor fala que as coisas já foram mais difíceis.

‘’Antes não tinha nem a água do caminhão pipa. Manoel ia pegar. Carregava no lombo do jegue, latinha por latinha. Ia de manha e só voltava à noite, era difícil, muito difícil. Antigamente chovia mais, a gente plantava mais. Plantava feijão, milho, plantava batata, mandioca, hoje a seca ta grande, não tem chovido. Mas as minhas ovelhinhas tenho mantido’’, diz dona Josefa.

Em um momento da prosa, durante o percurso até a sua, o que não era muito longe, cerca de 500 metros, dona Josefa olhou o tempo meio ensolarado e falou com uma experiência que brotava no olhar dessa mulher acostumada a ler todo sinal dado pela terra e pelo clima da sua região:
‘’A chuva passou por ali, ali passou, e ali se foi’’.
Dona Josefa olhando o tempo

Apesar da tristeza pela falta da chuva dona Josefa e seu Manoel, que já reclama das vistas cansada, não perdem a esperança, e junto com o filho que já tem uma pequena horta ao redor de uma cisterna enxurrada faz planos para quando o barreiro estiver cheio.
‘’Tô muito alegre com esse barreiro. Pois quando chover vou ter água para plantar uma coisa ao redor dele. Quero plantar o tomate, quiabo, alface, para não ter que comprar. Se render e der para vender a gente vende também’’, declarou empolgada dona Josefa.

Os pensamentos de seu Manoel e do filho José Batista não são diferentes, enquanto José pretende usar a água do barreiro para aumentar sua pequena horta, fazendo uma irrigação mais estruturada, seu Manuel só pensa no dia em que a chuva cair para ver o barreiro cheio para começar a produzir também.

‘’Tô pedindo a Deus que mande o bom tempo para encher. Quero Plantar uma cova de abóbora, uma cova de quiabo, uma cova de tomate, uma cova de uma coisa e de outra, essas coisas que a gente come’’, disse esperançoso seu Manoel.
Seu Manoel


Outra família que esta radiante com conquista é a da dona Marinalva,também da comunidade de Pedrolândia.

‘’Vai ser bom demais ver esse barreiro cheio. A gente botava água em um pequeno tanquinho, e secava muito rápido, era pequeno. Quando a gente ver esse barreiro cheio vai ser muito bom. Vou plantar verduras e frutas nem que seja só sabe para a gente consumir dento de casa. Ter essas coisas sem veneno é bom, muito bom’’, informou dona Marinalva.
Dona Marinalva

Agricultores/a partilham experiências e saberes e ‘’caem ‘’ no samba durante curso SISMA em Nordestina

 
 ‘’Acesso água aqui é só por caminhão pipa, e de cisterna de beber. Não temos água encanda. Essa cisterna será mais um reservatório para poder produzir e guardar água no período da seca’’, diz dona Cleide da comunidade Lagoa dos Bois do município de Nordestina.

Dona Cleide é uma das 26 famílias que participaram do curso Sistema Simplificado Para Manejo de Água - SISMA no último dia 17 a 18 de julho na comunidade Lagoa dos Bois, em Nordestina. A comunidade assim como muitas na região sofre com a falta de água, mas esta realidade aos poucos vem mudando, pois muitos destes agricultores/a tem percebido que é possível conviver e produzir no semiárido mesmo no período de pouca chuva. Além das famílias estarem conquistando tecnologias que auxiliem na convivência com o semiárido, ainda passa por cursos promovidos pelo Programa Uma Terra e Duas Águas – P1+2 que assessoram na transformação desta realidade.

 Neste último curso, o SISMA, agricultores/a tiveram a oportunidade de partilhar conhecimentos saberes e experiências.
No primeiro dia de curso agricultores/a visitaram a casa da Dona Damiana, qual conquistou uma cisterna enxurrada, onde fizeram ao redor da cisterna canteiros e em seguida plantaram plantas frutíferas, como acerola, caju, manga, entre outras. Enquanto plantavam, o instrutor do curso falava qual se adaptava melhor naquela região, quanto tempo demoraria em dá seu primeiro fruto, entre outras curiosidades perguntadas pelos agricultores/a. Ao longo das perguntas muitos citavam experiências vividas por eles, algumas com sucessos outras não, estas últimas, logo queria saber o que deu errado, muitos desses questionamentos sanados entre eles mesmos.  

No segundo dia o tem foi enxertagem. Todos queriam saber como era possível uma cultura mesmo sendo da mesma família dá fruto em tão pouco tempo. Na ocasião, o coordenador Moisés Inácio, explicou e exemplificou. Foi falado também em compostagem e em diferentes tipos de adubos.
Muitos dos presentes criam animais, e pretendem investir futuramente após a cisterna ficar pronta, seu Geraldo, por exemplo, é um dos agricultores exemplos da comunidade. Na propriedade dele,ele  já desenvolve uma estratégia para driblar a longa estiagem e não deixar o gado passar fome, a qual fez questão de compartilhar com os demais agricultores/a. Na manhã do terceiro dia de curso as famílias partiram para a propriedade de seu Geraldo onde desenvolveram silo e feno, rações feitas a base de palhas de milho,folhas de leucena entre outras riquezas, que bem armazenadas resistem a mais de 6 meses.
A alegria e empolgação dos agricultores/a em aprender algo novo, algo que com certeza vai ajudar a conviver melhor na região deles, estava estampada no olhar de cada um, a cada palha, a cada folha que eles jogavam na máquina de triturar era um brilho diferente que brotava das suas faces.

O curso não passa apenas técnicas e práticas de como conviver no semiárido com dignidade e de forma produtiva. Os cursos do P1+2 também despertam e instigam o resgate da cultura regional e local. Na comunidade Lagoa dos Bois, existe um tradicional grupo de samba, que durantes os meses de janeiro de fevereiro faz a festa com seus sambas de raiz e Reis.

Seu Geraldo, um dos integrantes e puxadores do samba, fala com emoção e gosto de fazer parte desse grupo e da importância de não perder essas raízes, essa tradição que eles custam a preservar.
‘’São seis pessoas que compõem o grupo de samba. As letras algumas são nossas. Outras são Reis antigos. Essas tradições são boas demais. É muito valoroso e muito bonito, tanto para quem ta fazendo para quem ta vendo aquela batucada do pandeiro. Um passa por outro, o outro passa para o colega e assim vai,faz uma roda boa. Uma pena o jovens não participar (sic) muito. Alguns acompanha (sic), mas não muito’’.

O batuque do samba como seu Geraldo falou animou e contagiou a todos os presentes que não pensaram duas vezes e entraram na roda para sambar ao som das cantigas de reis e dos sambas do grupo da comunidade de Lagoa dos Bois.

Trecho de um dos sambas entoados pelo grupo:
’’palmeia, palmeia,quero ver palmear, palmeia,palmeia, quero ver palmear.
  Oh! levanta mulher corre a roda,quero ver ela correr’’