26 novembro, 2014

Alegria e celebração marcaram a comemoração dos 15 anos da ASA na Bahia

por Daiane Almeida

Ampliando a resistência!Fortalecendo a convivência!Viva ASA Brasil


Era meio dia pontualmente, ao soar de buzinas, teve início a ação de comemoração pelo aniversário de 15 anos da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). Em clima de muita alegria, cerca de 100 pessoas de diversas regiões do estado se reuniram no centro da cidade de Feira de Santana, na Bahia, no dia de hoje (26), para a realização do flash mob, ação rápida que cumpriu o objetivo de mexer com a rotina da cidade e em 7 minutos chamar a atenção das pessoas para o tipo de alimentação que elas têm acesso e para a questão da água que é usada na sua produção. A atividade celebrou a trajetória de trabalho da ASA e de construção de alternativas para convivência com o semiárido junto ao povo sertanejo.

5 milhões de pessoas com acesso à água potável no campo!
A problematização do tema aconteceu a partir da distribuição de 500 kits de alimentos orgânicos e agroecológicos da agricultura familiar, produzidos por cooperativas e grupos de produção de diversos municípios do estado baiano, filiados ao Armazém da Agricultura Familiar. As pessoas que passavam no local em transportes ou caminhando puderam levar os kits com mel agroecólogico, fubá orgânica, sequilhos e geleia de umbu.

Kits de alimentação foram distribuídos
Agricultores familiares que participaram da ação exibiram a produção de hortaliças e o processo de irrigação com regadores, que ao final também foram distribuídos. Com faixas e dizeres como:  “Para 800 mil mulheres do semiárido, lata d’água na cabeça é coisa do passado” ou ainda “Se o campo não planta, a cidade não janta”,  as pessoas que circularam pelo local puderam visualizar as mensagens produzidas pelo grupo, receberam panfletos e outros materiais informativos, além dos kits. Os mais interessados mantiveram um diálogo na busca de informações sobre o que é ASA e qual sua proposta de trabalho.

Geovanio Silva, jovem agricultor familiar do município de Retirolândia e animador, sentiu-se valorizado com a ação. “Despertou a curiosidade do público, as pessoas perguntaram o que era, o porquê da distribuição, pessoas perguntando como conseguir a cisterna. Foi importante ver a distribuição dos produtos da agriculta familiar. É bom saber que os nossos produtos são valorizados com o apoio da ASA (Articulação do Semiárido Brasileiro)”, afirmou.

Agricultores/ as agricultoras familiares


A inovação na forma de discutir a temática, e chamar a atenção de pessoas em um centro urbano de médio porte para questões importante com a água para produção de alimentos foi avaliado de forma positiva.  “Distribuímos produtos sem agrotóxicos, da agricultura familiar, as pessoas se interessaram para saber o que era e também queriam conhecer mais sobre a ASA. Acho que cumpriu a proposta de levar a mensagem do trabalho que a ASA desenvolve. É uma forma inovadora de falar sobre um tema”, opinou Arlene Freire, comunicadora popular.

Com frases e palavras de ordem como: “É no semiárido que a vida pulsa! É semiárido que o povo resiste” e muita animação, foi finalizada a ação, que também aconteceu em Minas Gerais e nos demais estados do Nordeste.  

24 novembro, 2014

Apaeb Serrinha inaugura minibiblioteca

Por Mirian Oliveira

Equipe da Apaeb e representante da Embrapa
Na última sexta-feira (21) a Apaeb Serrinha em parceria com a Embrapa inaugurou sua primeira minibiblioteca. A instituição recebeu um acervo com mais de 250 livros além de CDs e DVSs do projeto ‘’Minibiblioteca’’ da Embrapa em parceria com a Secretaria Nacional  de Segurança Alimentar  e Nutricional (SESAN) e do Ministério do Desenvolvimento  Social e Combate à Fome (MDS), os exemplares  somarão ao acervo próprio da instituição de cartilhas,boletins e demais exemplares voltados a convivências com o semiárido.
O acervo recebido é de caráter compatível com a realidade agrícola e agrária brasileira e se destina a apoiar e incentivar o processe de educação formal e informal de agricultores/a, jovens, adultos e crianças, contribuindo com o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar das comunidades.
Para Marcelo Ribeiro, pesquisador da Embrapa o projeto pretende somar com os conhecimentos que os agricultores/a já possuem daí o seu diferencial.
‘’Um dos objetivos do projeto é levar as tecnologias que a Embrapa já desenvolve há mais 40 anos, desde a sua criação, e atender aquelas entidades que estão precisando de um pouco mais de tecnologia, conhecimento. É trazer esses agricultores pra essas entidades, atrair crianças, jovens, adultos para o ambiente da organização social do campo, para fortalecer isso. Por isso a seleção dessas entidades é criteriosa, escolhemos pelo nível de organização, pela história de ação. A gente viu que a Apaeb já tem alguns programas em atividade, pois já a acompanhamos há alguns anos e que com certeza irá aproveitar muito bem dessa minibiblioteca. É bom ressaltar que essas tecnologias vêm para somar com todo conhecimento tradicional do agricultor familiar, não é algo isolado, a gente quer complementar, é ampliar esse conhecimento’’.
Ivoneide Santos, presidente da instituição destacou a importância da minibiblioteca e os planos para sua ampliação.
Ivoneide, presidente da Apaeb Serrinha
‘’A chegada dessa minibiblioteca é muito importante para instituição e para o público em geral.Nós temos muito exemplares, os quais são ligado a educação no campo esses vieram para somar. Não serão apenas os agricultores/a que se beneficiarão, mas o público em geral, nós da entidade principalmente, pois poderemos usar nos cursos que ministramos, além de poder compartilhar com demais entidades. Vamos ampliar com outros exemplares quem sabe com a própria Embrapa que já vai abrir um edital, o incentivo já temos,disse Ivoneide’’.
O kit de Minibibliotecas é composto por publicações impressas, programas em vídeo do programa ‘’Dia de Campo na TV’’e programas em áudio do programa de radio ‘’Prosa Rural’’. As mídias impressas e eletrônicas abordam técnicas simples e tecnológicas que podem contribuir para melhorar a produtividade agrícola, para o bom uso dos recursos naturais e adoção de boas práticas a agropecuárias.


22 novembro, 2014

Agricultores/a dos projetos P1+2 /BNDES e MDS compartilham saberes e experiências durante Encontro Territorial

Por Mirian Oliveira

Encontro Territorial reuniu mais de 120 pessoas durante os dias 19 e 20 de novembro


Momento de reflexão
‘’Aqui é minha terra, vou construir meu sonho aqui! Surgiu o projeto das cisternas, entrei no curso, tive dificuldades, mas venci e hoje construo cisternas e quero ver o povo produzir nem que seja um pé de pimenta para comer meio dia’’, essa foi uma das muitas falas que marcou o Encontro Territorial realizado pela Apaeb Serrinha,nos dias 19 e 20. O Encontro reuniu mais de 120 pessoas dos dois projetos executados pela instituição em parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro-ASA financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES e pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome-MDS que atuam em alguns municípios do território do Sisal e Bacia do Jacuípe: Cansanção,Queimadas,Nordestina,Teofilândia,Capela do Alto Alegre e Serrinha. A fala acima citada é do pedreiro Erinilton Araújo do município de Capela do Alto Alegre.
Além de pedreiros estiveram presentes agricultores e agricultoras contemplados pelo projeto, comissões municipais, representantes municipais e  palestrantes que debateram diversos assuntos como: acesso ao crédito, PRONAF, Autonomia e gestão e Agroecologia.
A troca de experiência começou logo no início. Cada município trouxe algo que o representasse e contou sua história numerando suas dificuldades e qualidades.                              
Durante os dois dias do encontro os agricultores puderam expor e comercializar os produtos produzidos por eles na pequena Feira Compartilhada, por lá era possível encontrar artigos artesanais como: chapéus de palha de diversos modelos, peças de argila, peças de crochê, bolsas de palha, tapetes de palha entre outros. Para saborear tinha deliciosas cocadas de coco, ovos, couve, coentro, pepino, uvas a qual não é típica da nossa região, mas estava presente.
Feira Compartilhada

O primeiro dia foi marcado pela explanação dos temas sobre o acesso ao crédito que teve o apoio da cooperativa de crédito Ascoob Sisal e tirou dúvidas dos agricultores sobre cooperativismo e sua importância para o fortalecimento da agricultura familiar.  Na sequência Luiz Lisboa, colaborador da Apaeb Serrinha destacou a importância da agroecologia e da agricultura familiar. ‘’ Não é só a mulher, o homem, os filhos precisam trabalhar o conceito agroecológico. Não se faz agroecologia sem cuidar de todos os recursos naturais por igual. Por isso não podemos queimar, desmatar, jogar lixo a céu aberto, usar veneno. Temos que entender que a agricultura familiar tem uma marca, e que esta marca tem que ser entendida, a qual é a marca da família, da agroecologia’’, ressaltou Luiz.
Na sequência a palavra foi dada ao agricultor, Cordeiro Peixoto, que há mais de 30 anos cultiva hortaliças e que há dois anos conquistou uma cisterna de enxurrada o que potencializou sua produção, hoje ele colhe por semana mais de 400 pés de coentro e alface e vende na feria livre do seu município. A proposta da participação desse agricultor era incentivar os mais de 100 agricultores ali presentes e mostrar que é sim possível produzir com pouca água, já que no município onde Cordeiro vive [Capela] passa por um longo período de estiagem. Na sua fala Cordeiro destacou a importância do uso de defensivos naturais. ’’Eu tenho tantos clientes que compram por que não uso agrotóxico e se eu usar vão deixar de comprar’’. Cordeiro ainda citou diversas técnicas de plantio, de adubos e exemplos práticos de defensivos naturais, como o xixi bovino.
Agricultor experimentador Cordeiro Peixoto

O encontro não ficou restrito apenas com plenária e palestras, além da Feira Compartilhada e aberta para todos, teve a noite cultural tipicamente nordestina com um forró pé de serra para alegrar o povo e esquentar o frio e festejar a chuva que caia naquela noite.
Na manhã seguinte o dia começou cedo. Com uma reflexão seguida de laboral para animar o dia longo anterior. A programação para o dia 20(quinta-feira) foi por conta da equipe de comunicação, que trouxe para os presentes questionamentos sobre a comunicação para todos como instrumento de participação social enfocando os boletins e banners de experiências como fortalecimento das ações desenvolvidas pelos agricultores/a e por fim foi convidado um agricultor que já teve sua história sistematizada para falar da experiência e se o mesmo se sentiu representado por este instrumento de comunicação, o agricultor em questão disse que não só se sentiu representado como o boletim e o banner conquistado por ele serve como divulgação do seu trabalho e o ajuda nas vendas dos seus produtos.
Após Silvaney Santiago trazer para discussão o tema autonomia e gestão, chegou o momento da avaliação das ações que estão sendo realizadas dentro dos projetos P1+2/BNDES e MDS, este foi o momento de apontar as falhas, os acertos e dar sugestões para os próximos projetos que estão por vir.
Muitas coisas foram apontadas, algumas delas inclusive já foram solucionadas, como o caso da bomba que no projeto P1+2/BNDES, o qual acabará agora em novembro, ainda são manuais, vários agricultores reclamaram do não funcionamento da mesma, mas esta questão já foi solucionada e no projeto P1+2/MDS as bombas já são todas elétricas. As críticas foram poucas, não faltaram elogios aos projetos e as entidades que os executa.
Mesa com pedreiro,repres. da comissão e da entidade e agricultor

Para agricultora Valdineia Valéria da comunidade Lagoa do Canto, Teofilandia, o projeto não contribui apenas com a tecnologia em si, mas também com o resgate da cultura da comunidade.
‘’São inúmeras contribuições, é poder aumentar a renda familiar e de certa forma trouxe as raízes que estavam adormecidas. A gente passava necessidade e não percebia que podia daquilo que já existe tirar o nosso sustento, e durante os cursos a gente resgatou isso, e depois da tecnologia a gente viu que pode tirar o nosso próprio sustento do nosso quintal. Tenho uma cisterna calçadão, e produzo já a couve, coentro e a principio é somente para o consumo, e depois com certeza comercializar. Amei o evento. Foi maravilhoso, rever pessoas, pegar experiências com outros municípios, trocar experiências as quais vou levar comigo para vida toda’’, disse Neia, como gosta de ser chamada.

                                                                                                                                                                   

17 novembro, 2014

Agricultores/as participam de Encontro Comunitário em Cansanção


Por  Mirian Oliveira

O Encontro Comunitário tem como objetivo avaliar as ações do projeto Uma Terra e Duas Águas - P1+2/BNDES da Articulação no Semiárido e executado pela Apaeb Serrinha



Agricultores/as entoando numa só voz: NOSSA AGRICULTURA É FAMILIAR!
Na última quinta-feira (13/10) agricultores/as, técnicos/as, pedreiros, comissões municipais,além de representantes de associações locais se reuniram no município de Cansanção para o Encontro Comunitário, o qual tem como objetivo avaliar as ações do projeto Uma Terra e Duas Águas - P1+2/BNDES da Articulação no Semiárido-ASA e executado pela Apaeb Serrinha.
A alegria e satisfação dos agricultores/as estavam presentes em cada olhar, e palpáveis nos elementos que eles trouxeram para a mística, a qual foi formada por produtos trazidos por estas famílias que antes da conquista das tecnologias sofriam com a dura estiagem da região. Não faltaram culturas e iguarias: alface, tomates, couve, vinagre de umbu, ovos, milho, feijão, entre outros. Durante a apresentação de cada um dos presentes eles pegavam um elemento do círculo formado pelos elementos trazidos e diziam o que significavam ou a importância deste para eles. Surgiram muitos, mas alguns chamaram a atenção, como o da agricultora Viviane Reis que escolheu o ‘’cabeça de frade’’. “Ele mostra a resistência do sertão e que se vive no sertão e que aqui tem vida”.
O encontro era mesmo de avaliação. Era o momento dos presentes apontarem falhas, sugestões e criticas sobre o projeto que atua nos municípios desde o início do ano e que até o final desde mês [novembro] entregará 320 tecnologias de produção para os municípios de Cansanção, Nordestina e Queimadas. Para isto as famílias discutiram em conjunto questões referente à chegada do projeto na sua comunidade até a implementação do caráter produtivo, aproveitaram ainda para sanar dúvidas ainda existentes.
A agricultora Ivone Santos, do município de Cansanção destaca as vantagens do projeto e os planos futuros.
‘’Para mim valeu a pena para todo o nosso município, nos nunca pensamos em adquiri um cisterna dessa. Valeu a pena o esforço. A partir de agora é produzir. Que a gente possa fazer valer a pena, que possamos planar nossa horta, meu marido pegou [caráter produtivo] para cabra, mas vou fazer minha horta porque gosto de cuidar disso’’.
Todas as sugestões e críticas evidenciadas durante o encontro serão encaminhadas para entidade gestora do projeto para que sejam analisadas.

24 outubro, 2014

Em defesa da convivência com o semiárido, ato reuniu 50 mil pessoas

Por Daiane Almeida

Em Petrolina, terras banhadas pelo Rio São Francisco, na manhã de 21 de outubro,que estava nas ruas e conectado as redes sociais pôde se ver as ruas tomadas por um “mar vermelho”. Agricultores e agricultoras familiares de todos os estados do Semiárido Brasileiro, vestidos de vermelho, com bandeiras e canções, se fizeram presentes em um grande Ato em defesa da política de convivência com o semiárido, organizado pela Articulação Semiárido Brasileiro, que manifestou apoio a reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

As caravanas viajaram durante horas por toda a noite para unirem-se na orla de Juazeiro  durante o início da manhã. Organizados, saíram caminhando pela ponte que liga a cidade baiana a pernambucana Petrolina.

Com palavras de ordem, músicas e festa se concentraram ao lado da  igreja matriz da cidade, para ouvir as palavras do coordenador da ASA, Naidison Baptista, que enumerou em sua fala as políticas de convivência com o semiárido construídas através da parceria das organizações da sociedade civil e o poder público ao longo dos últimos 12 anos, como a construção de  800 mil cisternas para armazenar água potável para o consumo das famílias, a implementação de tecnologias de captação de água para produção de alimentos, entre outras.

Naidison Baptista, coordandor ASA, afirmou ao
lado Dilma Roussef as conquistas, mas destacou
os desafios que a região Semiárida ainda deve enfrentar
"Nós temos possibilidade de moradia, nós temos água, nós temos assistência técnica, nós temos crédito. Nós temos uma gama imensa de programas e políticas, presidenta, que mudaram a realidade de vida dessa população. Esse povo todo está aqui pra dizer que todas essas políticas são fundamentais para o Semiárido”, afirmou Baptista.

O governador da Bahia, Jacques Wagner também fez uma fala no sentido de continuar com as ações que contribuem para o crescimento da Região Nordeste. “ "Não queremos repetir o abandono do NE. Não vamos interromper a rota do desenvolvimento”,  afirmou o governador.
A presidenta marcou presença no evento e falou para os milhares de presentes sobre a importância da região para o país. "Essa é uma das mais importantes regiões do país, apesar do que acham os tucanos. Eles falaram que os votos que eu recebi no semiárido no Nordeste eram de pessoas ignorantes. Nós somos ignorantes, porque ignoramos os tucanos", disse presidenta Dilma Rousseff para a multidão de 50 mil pessoas.

Ela ainda afirmou o orgulho que sente da parceria feita com os movimentos sociais do semiárido. “Eles que tem visão ultrapassada do Brasil, não sabem que o Brasil e essa região está mudando pelo braço, pela garra, esforço, do seu próprio povo e pelas oportunidades que o governo do presidente Lula e o meu governo fizemos aqui no semiárido. Tenho orgulho do 1 milhão de cisternas que construímos com a ASA”, ressaltou a presidenta.

Orgulho de ser Nordestino! - Os agricultores familiares presentes reafirmaram seu orgulho de ser nordestino e do semiárido, nas faixas, cartazes, banners, mensagens de afirmação e desejo de que novas políticas se concretizem e outras tantas avancem mais. Dona Marinalva Quintino, da Comunidade Canto, de Serrinha, é um exemplo da mudança e do desejo de continuidade. Ela que conquistou uma barragem subterrânea sabe a importância das ações de convivência com o semiárido para a melhoria na qualidade de vida sua família.

“Minha vida mudou muito. Na minha barragem eu tenho quiabo, cebola, couve, não preciso mais
Marinalva, agricultora familiar
comprar e já tenho minha semente. Eu achei que melhorou muito a minha vida de Lula pra cá. Eu pude comprar minha moto, meus filhos tem a deles, eu fui para Santa Catarina de avião. Quem era pobre que podia viajar de avião antes? Eu fui e vou qualquer hora. Até a comida na mesa melhorou. Quando eu recebo o Bolsa Família já venho com o café, o óleo, o detergente para casa. Minha televisão é nova, sofá aqui a gente não tinha, cama arrumada, piso no chão, meu banheiro já tá mais arrumado”, afirmou a agricultora familiar, que além de cuidar das hortaliças, trabalha raspando mandioca.

14 outubro, 2014

Carta de apoio a Dilma, publicada pela ASA Brasil

 Pelas vidas e dignidade no Semiárido, apoiamos Dilma
                                                                                         “Quando não tinha nada eu quis.”
                                                                                                                     Chico César

A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) é uma rede de grupos de organizações da sociedade civil voltados à convivência e viabilização do Semiárido, e que reúne hoje cerca de três mil organizações localizadas em toda região. Quando a ASA foi criada, em 1999, o Semiárido se via em um contexto político e social de grande estiagem, uma questão de origem natural porém com consequências de ordem políticas e sociais relacionadas às ações focadas no “combate à seca”. Políticas que desconheciam o protagonismo dos agricultores e agricultoras, sua capacidade de produzir conhecimentos e de tomar a frente dos seus destinos.

Em decorrência das secas, a morte era comum na região, especialmente a morte de crianças. “Um genocídio praticado pelo Estado”, como afirmava o sociólogo Betinho.
As organizações da sociedade civil no Semiárido, organizadas na ASA, tiveram a coragem de lançar ao Brasil uma crítica severa e forte ao modelo de “combate à seca” montado no tripé “coronelismo, enxada e voto”, e propor ações simples, de baixos custos e eficientes para uma política pública na perspectiva da convivência com o Semiárido.

Todavia, foi nestes últimos 12 anos, nos governos Lula e Dilma, a partir dos programas “Fome Zero” e “Brasil sem Miséria”, que a ASA e suas organizações tiveram a oportunidade de propor várias ações que, assumidas hoje como políticas de governo e até mesmo como Políticas Públicas, transformam a realidade na região.

Até o final deste ano, o Semiárido chega a marca histórica de UM MILHÃO DE CISTERNAS construídas, ou seja, 16.000.000.000 (dezesseis bilhões de litros de água). Água disponível ao lado da casa de cada família. Água de qualidade para cerca de cinco milhões de pessoas.

É isso que explica o fato de - entre 2010 até o final de 2013 - o Semiárido ter atravessado a maior estiagem dos últimos 30 anos, e em alguns lugares, dos últimos 60 anos, e não ter tido nem uma só morte humana decorrente da seca, embora tenhamos nos deparado com morte de animais, dizimação de sementes e outros problemas. Esse resultado, a ASA credita à sua própria ação e aos programas e políticas governamentais dirigidos ao Semiárido, entre os quais se pode enumerar: Bolsa Família, Bolsa Estiagem, Seguro Safra, Cisternas de Consumo Humano, Cisternas e Tecnologias Sociais para captação de água para produção, ações na perspectiva da agroecologia, assistência técnica, crédito adequado, início da política de sementes crioulas, eletrificação rural, Minha Casa Minha Vida Rural, aumento real no valor do salário mínimo, Programa de Aquisição de Alimentos - PAA, Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, abertura de escolas, Institutos Federais e campi de universidades públicas nos municípios rurais, entre muitos outros.

É justamente por constatar que a histórica realidade injusta, cruel, desumana e desrespeitosa começa a ser mudada no Semiárido, que o povo desta região se expressa majoritariamente e, por vez, maciçamente, pela continuidade do projeto político que aí está sendo construído.

Neste contexto, a ASA repudia as afirmações de todos aqueles e aquelas que caracterizam o Semiárido e o Nordeste como lugar de povo desinformado e incapaz, desmerecem o nosso voto e expressam nos meios de comunicação seus preconceitos e desconhecimento da realidade. O fato de Dilma ter maioria de votos em estados como o Piauí merece, sim, muita reflexão, mas para perceber que o Brasil anterior aos governos Lula e Dilma não existe mais. Hoje temos mais dignidade. Pena, que quem traz tamanha carga de preconceito contra nossa região, seja justamente quem teve a oportunidade fazer diferente e preferiu apostar na velha política do “combate à seca”.

Nós, que não aceitamos mais nenhum tipo de violência, física ou simbólica, explicitamos aqui que o voto do povo do Semiárido é um voto inteligente, que expressa sua vontade, sua história e seus processos de convivência com a região. Expressam nosso direito de ampliar e consolidar políticas como as em vigor de convivência com o Semiárido que estão em vigor.

Ampliar e consolidar significa também que o processo de convivência ainda exige muitas outras ações e políticas que precisam ser assumidas pela Presidenta Dilma, a exemplos da Reforma Agrária e do reconhecimento e legalização do direito ao território de povos e comunidades tradicionais; da democratização dos meios de comunicação; do enfrentamento da monocultura; do controle e diminuição do uso indiscriminado de agrotóxicos, e outras questões que estão diretamente relacionadas à vida no campo e na cidade.

Sabedora do significado de cada uma das candidaturas, a ASA vem manifestar seu apoio ao projeto representado pela Presidenta Dilma Rousseff, conclamando a mesma a incorporar em seu programa de governo os pontos acima descritos, pois isso significaria aprofundar e explicitar mais e mais a opção pelos mais pobres, pelos excluídos e pela convivência harmônica entre pessoas e natureza.

Neste contexto, a ASA conclama todas as organizações, famílias e pessoas que aqui vivem, e que tiveram suas trajetórias mudadas nos últimos anos, a ocupar as ruas e as urnas por mais vida e mais dignidade no Semiárido.

#PeloSemiaridoDilma


Recife, PE, 10 de outubro de 2014


Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)

25 setembro, 2014

‘’Minha cisterna tá quase cheia. Quero produzir em qualquer época do ano’’

Por Mirian Oliveira


As primeiras famílias que conquistaram as cisternas do Projeto Uma Terra e Duas Águas, da Articulação no Semiárido – ASA, financiado pelo Banco de Desenvolvimento Social – BNDES e executado pela Apaeb Serrinha nos municípios de Nordestina, Cansanção e Queimadas, já estão produzindo e desenvolvendo o caráter produtivo.

Na comunidade de Deus Dará, em Nordestina, por exemplo, 80% das famílias que conquistaram as tecnologias já desfrutam de uma alimentação mais saudável através do cultivo de frutas, hortaliças, verduras, legumes e animais dos próprios quintais.   É o caso do casal de agricultores seu José e dona Noélia, que tem uma cisterna-calçadão, no quintal deles é possível ver um grande quantidade de fruteiras, horta e da implantação do caráter produtivo escolhido pela família para criação de galinhas, o qual já esta completamente finalizado.
Empolgado, seu José fala da sua experiência e da mudança após a chegada da tecnologia.

‘’ Não compro mais ovos, nem galinha. Não tô vendendo, só na necessidade mesmo. Vender mesmo só mais para frente. A ideia é não comprar. Antes dos cursos [GAPA/SISMA] eu plantava um pé de melancia, gastava 900 litros de água para ter a produção. Hoje, a gente usa dois litros de água por planta e fornece o dia inteiro, são dois litros de água a cada 24h, é muito pouco em visto o que a gente fazia tudo com a técnica do gotejamento, eram 20 litros para uma planta só. Agora posso produzir aqui no meu quintal tranquilo umas 50 tipos diferentes de plantas, tudo depois da cisterna, depois dos cursos. E cada vez que vamos plantando, mais a gente toma gosto e não para. Eu tenho uma visão diferente das coisas, tenho uma parte de caatinga nativa, a qual passei a preservar bem mais,não tiro nem para fazer cerca,prefiro comprar. Minha cisterna ta quase cheia, quero produzir em qualquer época do ano’’.

No quintal da família pode encontrar de tudo, pé de manga, goiaba, laranja, tangerina, acerola, melancia, bananeira entre outras riquezas, mas o cantinho favorito da dona Noélia é horta, aqui ela descreve com carinho o que cultiva e da mudança na alimentação da família.
‘’Muita coisa mudou, faço bastante salada. Aproveitei muita coisa e já deixamos de comprar muita coisa também. Tenho na minha horta, a alface, a rúcula, o coentro, o tomate, o pimentão, cebolinha, beterraba tudo molhado com a água da cisterna. Quero aumentar, plantar mais coisas. Estou muito feliz’’.