14 setembro, 2014

Sucesso do Mais Água em Serra Preta motiva criação de Feira Agroecológica

Por Arlene Freire 

Inaugurada no último sábado (13), a Feira Agroecológica de Serra Preta surgiu como alternativa para a comercialização da produção de agricultores familiares beneficiários do Projeto Mais Água no município. O projeto é fruto da parceria entre a APAEB Serrinha e a Articulação do Semiárido (ASA), e executado com a colaboração da Comissão municipal de Recursos Hídricos. 

Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Serra Preta (STTR) a Feira Agroecológica aconteceu na comunidade do Bravo. 

De acordo com o presidente do STTR, Braquistone Santana, a feira foi o caminho encontrado para oferecer aos agricultores um espaço onde pudessem vender seus produtos. Ele informou que a meta é manter a feira funcionando todos os sábados, mas para que isso aconteça é preciso estruturar o espaço. “Precisamos de barracas próprias para os agricultores. As que temos são emprestadas, mas vamos buscar parceiros que possam nos ajudar” declarou.  



Só em Serra Preta o Mais Água construiu 114 tecnologias para captação de água da chuva e cultivo de hortaliças, visando promover a segurança alimentar e nutricional. 

Satisfeita, a agricultora Cleonice que já entrega seus produtos em outras comunidades, contou que tem clientela certa e comemorou o resultado da feira.

video

A agricultora Irene, disse que começou a produzir a pouco tempo, mas já é possível sentir as mudanças na propriedade e na vida da família. Ela informou que entrega seus produtos para dois supermercados do município, além de vender para os vizinhos. Dona Irene afirmou que a chegada da cisterna transformou a vida de muitas famílias do município.

convidada para falar na mesa de abertura da feira, Dona Irene
pediu que ações de apoio a agricultura familiar se mantenham 

O coordenador do Projeto na APAEB Serrinha, Valdir Alves, lembrou que toda a execução do Mais Água é fruto da parceria entre a APAEB Serrinha e entidades locais que compõem a Comissão municipal de Recursos Hídricos e destacou que as ações desenvolvidas estão contribuindo para minimizar os efeitos da seca no município, permitindo que homens e mulheres possam produzir para a própria alimentação e comercialização.





Também são atendidos pela APAEB Serrinha os municípios de Anguera, Feira de Santana, Ipecaetá, Ipirá e Tanquinho. Até o final do ano serão construídas 651 estruturas hídricas, divididas em comunitárias e individuais, como cisternas de produção, barragens subterrâneas, barreiros trincheira e tanques de pedra, além da instalação de três bombas d’água e limpeza de aguadas. Também serão implantados 100 quintais produtivos.

"Muita coisa boa ainda vai acontecer no município, por causa
do Mais Água. Nós temos agricultores capazes de produzir
e demonstrar seu trabalho".
Milena Buraem - Secretária de Políticas Agrícolas e Agrárias do STTR

"O Mais Água promoveu uma revolução em Serra Preta.
Somos um município rural, mas muitos nem sabiam o que
eram as tecnologias. A ação provocou uma revolução".
Márcio Lima - Animador do Mais Água em Serra Preta.
"Recebi um barreiro e não tenho como explicar a mudança.
A gente que tinha aguada pequena, sempre ficou sem
água no tempo da seca, agora com o barreiro podemos
criar nossos animais. Só tenho a agradecer".
Valdemar - Beneficiário Mais Água.

12 setembro, 2014

Histórias de vida e inclusão digital

Por Arlene Freire 

O Instituto de Cooperação Belgo- Brasileira para o Desenvolvimento Social (disopbrasil), em parceria com a entidade Belga Comundos, realizou nos últimos dias 10 e 11 o Seminário Internacional de Histórias Digitais. O evento foi realizado no Centro de Orientação Vocacional Mãe Igreja em Feira de Santana e teve como objetivo apresentar a técnica de produção de histórias digitais para entidades parceiras do disopbrasil, que trabalham com agricultores familiares, a exemplo das Escolas Famílias Agrícolas e a APAEB Serrinha.

As histórias digitais são pequenos vídeos elaborados com recursos multimídia, como imagens animadas, fotos, música e voz. Os vídeos, com duração de 3 a 5 minutos, podem contar histórias de vida ou apresentar temas de interesse local.

De acordo com o representante da Comundos, Bart Vetsuypens, o primeiro encontro serviu para mostrar as entidades o que são as histórias digitais e a importância de produzir esses vídeos. Bart destacou ainda que a produção de histórias digitais é uma forma lúdica de promover a inclusão digital e de abordar temas relevantes.

Um novo encontro será realizado em 2015, para capacitar educadores sobre as etapas de produção dos vídeos, na perspectiva de que os participantes se tornem multiplicadores da técnica. 


O seminário contou com a participação de representantes de entidades da Bahia e do Rio de Janeiro.
Participantes se reúnem para a foto no final do evento


Fotos: Fundação APAEB.

02 setembro, 2014

Votação Online do Plebiscito Popular por uma Reforma no Sistema Político já começou!


Vote#aqui 

 Por Daiane Almeida


Desde o dia 23 de agosto os movimentos sociais , sindicais, organizações, se uniram ainda mais para fortelcer o debate e a luta por uma Reforma no Sistema Político. Na Semana da Pátria (1 a 7 de Setembro) as pessoas poderão se dirigir a uma urna e responder a seguinte pergnta:Você  é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político? Vote aqui!

Qualquer pessoa ou grupo pode organizar um local de votação com uma urna!

O que é um Plebiscito Popular?

Um Plebiscito é uma consulta na qual os cidadãos e cidadãs votam para aprovar ou não uma questão. De acordo com as leis brasileiras somente o Congresso Nacional pode convocar um Plebiscito.

 Apesar disso, desde o ano 2000, os Movimentos Sociais brasileiros começaram a organizar Plebiscitos Populares sobre temas diversos, em que qualquer pessoa, independente do sexo, da idade ou da religião, pode trabalhar para que ele seja realizado, organizando grupos em seus bairros, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, aonde quer que seja, para dialogar com a população sobre um determinado tema e coletar votos.
 O Plebiscito Popular permite que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política e pressionem os poderes públicos a seguir a vontade da maioria do povo.
 O que é uma Constituinte?
 É a realização de uma assembleia de deputados eleitos pelo povo para modificar a economia e a política do País e definir as regras, instituições e o funcionamento das instituições de um Estado como o governo, o Congresso e o Judiciário, por exemplo. Suas decisões resultam em uma Constituição. A do Brasil é de 1988.

 Porque uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?
 Nos meses de Junho e Julho de 2013 milhões de jovens brasileiros foram às ruas para lutar por melhores condições de vida, inicialmente contra o aumento das tarifas do transporte, mas rapidamente a luta por mais direitos sociais estava presente nas mobilizações, pedia-se mais saúde, mais educação, mais democracia. Nos cartazes, faixas e rostos pintados também diziam que a política atual não representa essa juventude, que quer mudanças profundas na sociedade brasileira.

 As mobilizações das ruas obtiveram conquistas em todo o país, principalmente com as revogações dos aumentos das tarifas dos transportes ou até diminuição da tarifa em algumas cidades, o que nos demonstrou que é com luta que a vida muda! Mas a grande maioria das reivindicações não foram atendidas pelos poderes públicos.

 Não foram atendidas porque a estrutura do poder político no Brasil e suas “regras de funcionamento” não permitem que se avance para mudanças profundas. Apesar de termos conquistado o voto direto nas eleições, existe uma complexa teia de elementos que são usados nas Campanhas Eleitorais que “ajudam” a garantir a vitória de determinados candidatos.

 A cada dois anos assistimos e ficamos enojados com a lógica do nosso sistema político. Vemos, por exemplo, que os candidatos eleitos têm um gasto de Campanha muito maior que os não eleitos, demonstrando um dos fatores do poder econômico nas eleições. Também vemos que o dinheiro usado nas Campanhas tem origem, na sua maior parte, de empresas privadas, que financiam os candidatos para depois obter vantagens nas decisões políticas, ou seja, é uma forma clara e direta de chantagem. Assim, o ditado popular “Quem paga a banda, escolhe a música” se torna a melhor forma de falar do poder econômico nas eleições.

 Além disso, ao olharmos para a composição do nosso Congresso Nacional vemos que é um Congresso de deputados e senadores que fazem parte da minoria da População Brasileira. Olhemos mais de perto a sua composição:
  • mais de 70% de fazendeiros e empresários (da educação, da saúde, industriais, etc) sendo que maioria da população é composta de trabalhadores e camponeses.
  • 9% de Mulheres, sendo que as mulheres são mais da metade da população brasileira.
  • 8,5% de Negros, sendo que 51% dos brasileiros se auto-declaram negros.
  • Menos de 3% de Jovens, sendo que os Jovens (de 16 a 35 anos) representam 40% do eleitorado do Brasil.
 Olhando para esses dados, é praticamente impossível não chegar a conclusão de que “Esse Congresso não nos representa!!!” e que eles não resolverão os problemas que o povo brasileiro, em especial a juventude, levou às ruas em 2013.

 E para solucionar todos esses problemas fundamentais da nossa sociedade (educação, saúde, moradia, transporte, terra, trabalho, etc.) chegamos a conclusão de que não basta mudarmos “as pessoas” que estão no Congresso.

 Precisamos mudar “as regras do jogo”, mudar o Sistema Político Brasileiro. E isso só será possível se a voz dos milhões que foram as ruas em 2013 for ouvida. Como não esperamos que esse Congresso “abra seus ouvidos” partimos para a ação, organizando um Plebiscito Popular que luta por uma Assembléia Constituinte, que será exclusivamente eleita e terá poder soberano para mudar o Sistema Político Brasileiro, pois somente através dessa mudança será possível alcançarmos a resolução de tantos outros problemas que afligem nosso povo.

Fonte: site da campannha http://www.plebiscitoconstituinte.org.br

01 setembro, 2014

APAEB Serrinha contribui com o fortalecimento de Feira Agroecológica no município



Por Arlene Freire e Mirian Oliveira


Com o objetivo de fortalecer a Feira Agroecológica em Serrinha e ampliar a participação de agricultores neste espaço, a APAEB Serrinha realizou, nos últimos dias, um recadastramento dos participantes e a inserção de novos agricultores.

A Feira, que acontece aos sábados dentro do Centro de Abastecimento municipal, já se tornou um espaço alternativo para quem procura alimentos mais saudáveis e produzidos de forma orgânica.

Ao todo são 27 agricultoras que trabalham diretamente na venda de hortaliças, beijus, ovos, sequilhos, bolos, cereais, frutas, raízes e galinhas da terra. A produção e comercialização dos produtos é uma atividade familiar, que também envolve os maridos e filhos dessas agricultoras.

O recadastramento é uma iniciativa da APAEB Serrinha em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares de Serrinha (SINTRAF), Cooperativa de Produção e Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar e Economia Solidária de Serrinha (COOPAFSERRINHA) e Secretaria municipal de Indústria e Comércio e Movimento de Organização Comunitária (MOC), juntos seus representantes formam uma comissão gestora da Feira.

Dona Suzana, que já é cliente da Feira há algum tempo, elogia o trabalho das agricultoras e diz que tem total confiança na qualidade dos produtos. “Primeiro que eu conheço as pessoas. São pessoas dignas, mulheres muito honestas, íntegras, portanto sabemos a procedência. A gente acredita nelas, que trazem o melhor alimento possível. A gente fica feliz e agradece a Deus, porque sabe que está consumindo um alimento de qualidade, para termos boa saúde e boa qualidade de vida, sem agrotóxicos”.

Acompanhada das agricultoras, Margarida (esq) e Suzélia (dir), Dona Suzana
mostra os produtos que compra na Feira Agroecológica




A agricultora Margarida conta que vender seus produtos na feira é a realização de um sonho.  “A gente começou com uma horta comunitária num tanque de chão, aí hoje a vizinha recebeu uma cisterna e a gente trabalha junta. Vendemos tudo, não sobra nada. A gente planta couve, cebolinha, alface, beterraba, abóbora, sem falar que a gente nem compra pra comer também. Tem gente que desconfia que não tenha veneno. Já teve cliente que foi lá na nossa propriedade ver se realmente não botamos veneno. Aí chega dizendo: pode comprar que eu vi, não tem veneno mesmo. Isso aqui é o meu sonho que estou realizando”, declara a agricultora.



Além do apoio a comercialização, a comissão gestora também orienta as agricultoras para o estabelecimento de regras de funcionamento do espaço, capacitação em gestão e uso de recursos do Fundo Solidário. O Fundo é composto por taxas pagas pelos agricultores e se destina a manutenção das barracas, compra de novas barracas e outros equipamentos necessários para a comercialização dos produtos.

De acordo com o colaborador da APAEB Serrinha, Luiz Lisboa, a entrada de novas famílias na feira surgiu da necessidade de viabilizar espaço para a comercialização da produção dos agricultores familiares atendidos pela entidade. “Inseridas em projetos para construção de tecnologias sociais de captação de água da chuva, as famílias passaram a produzir alimentos e criar animais. A Feira foi o caminho encontrado pela comissão para oportunizar a comercialização desses produtos”, afirma Luiz.



No seu primeiro dia de feira, a agricultora Suzélia demonstra entusiasmo e faz planos para a renda extra. “Eu comecei hoje e estou cheia de expectativas e já estou gostando. Tenho uma cisterna de produção, logo que fez água comecei a produzir. Estou vendendo hoje aqui batata doce, couve, aipim, acerola, abóbora e goiaba. Espero que venda tudo, para ajudar nas despesas em casa”.  






Cliente fiel da feira, Seu Gilson declara que se sente mais seguro comprando produtos orgânicos. “Compro toda semana. Fico mais feliz e mais seguro, pois sei que estou consumindo um produto totalmente saudável, de qualidade e sem química, ainda mais que tenho criança em casa. Aqui compro toda semana cebolinha, couve, alface, coentro, esse é certo”.







Histórico

Iniciada em 2007 de forma experimental, a Feira foi implantada pela APAEB Serrinha em parceria com o MOC, ASCOOB e Secretaria de Agricultura de Serrinha. Sendo estabelecida em caráter definitivo no ano de 2009.  

22 agosto, 2014

Apaeb Serrinha participa de ação solidária em escola na comunidade de Tanque Grande

Por Mirian Oliveira


Crianças de divertem enquanto escolhem as cartilhas


‘’Gentileza gera gentileza’’, esse foi o tema da II Ação Solidária promovida pela Escola Maria Nazaré Campos Araújo no povoado Tanque Grande no município de Serrinha.  O projeto teve como objetivo promover  atividades sociais para comunidade local e circunvizinhas além da socialização dos alunos com a comunidade e a participação da família na escola e prestação de diferentes serviços para comunidade.

 O projeto já vinha desde o dia 12 de agosto mas foi no dia 21(quinta-feira) que a APAEB Serrinha participou levando a comunidade de Tanque Grande e circunvizinhas, através do coordenador Moisés Inácio Rios informações sobre tecnologias de captação de água,técnicas de irrigação,sustentabilidade,distribuição de cartilhas sobre o semiárido,agroecologia,cuidados com o solo entre outros.
Moisés Inácio mostrando um das técnicas de irrigação 

O stande montado pela Apaeb Serrinha não foi visitado apenas por adultos que estavam curiosos para saber como faziam algumas técnicas de irrigação que estavam a mostra, ou até mesmo como conquistar uma tecnologia social mas também,por dezenas de crianças que foram conquistadas pelas cartilhas expostas. O mais importante disso é que elas não iam apenas pela capa,algumas chegavam a ler, e de cara se interessavam pelo conteúdo,o qual se tratava de assuntos voltados para o nosso semiárido, daí já notamos que a realidade vem mudando,as crianças já se interessam sobre o assunto,como relata a coordenadora Cíntia Cerqueira.

Cíntia,coordenadora Pedagógica
‘’ Em todas as atividades desenvolvidas na escola a gente tenta fazer com que eles vejam a importância do local onde eles vivem,de que o campo é um local,não é um sub local. É um contexto geral, não existe um direcionamento: a educação do campo, a gente procura ver a educação do campo em todas as disciplinas. Trouxemos esse órgãos,sindicatos, a própria APAEB a fim de conscientizar e mostrar que esses orgãos existem. E que eles (alunos)tem valor pelo local onde eles vivem.  E trazer essa conscientização que o local onde se vive,é um local bom de se viver, adequado, eu posso crescer aqui’’,comenta Cíntia.
Dona Maria Anelice Ramos moradora da comunidade de Boa Vista,agricultora,mãe de Ronaldo de 13 anos,trouxe junto com o filho caxixe,coco,milho,couve,produtos produzidos na propriedade dela para a Feira da Agricultura Familiar organizada pela Escola  Antônio Alves da Silva. Dona Maria destaca na fala que a importância do alimento sem veneno.

Dona Maria e seu filho exibe os frutos
da sua propriedade
‘’Incentivo bastante o Ronaldo,pois fui criada com tudo da roça,meu pai me ensinou.É uma alimentação natural,sem química,colhida da roça. Tava prestando atenção aqui no que o rapaz falou sobre a irrigação pra ele me ajudar a fazer em casa,ele já me ajuda muito.Assim ele aprende a viver a vida’’,diz dona Maria.

A II Ação Solidária teve fim nesta sexta-feira(22) com festejos folclóricos da região,durante os dias do projeto dezenas de pessoas puderam realizar serviços como:

  •       Aplicação de flúor e orientações
  •      Aferição de pressão
  •      Testes rápidos de glicemia,HIV,sífilis
  •       Confecção de carteiras de identidade,CPF,Carteira de Trabalho
  •       Dicas de sustentabilidade
  •        Exposição de técnicas agrícolas

   Entre outras.

19 agosto, 2014

Agricultores Familiares de Serrinha debatem cooperativismo

Por Arlene Freire

Aproximadamente 50 agricultores e agricultoras familiares se reuniram hoje (19), na sede da Cáritas Diocesana, em Serrinha, para debater o planejamento estratégico da Cooperativa de Produção e Comercialização dos Produtos da Agricultura Familiar e Economia Solidária de Serrinha (COOPAFSERRINHA) para os próximos 3 anos.

Na abertura do evento um café da manhã com produtos da agricultura familiar foi oferecido aos presentes, como forma de divulgar o que é produzido e comercializado pelos associados da COOPAFSERRINHA. Algumas delícias como bolo de tapioca e fubá, sequilhos e pães de queijo fizeram parte do cardápio.  

Café da manhã com produtos da agricultura familiar
A Cooperativa reuniu parceiros e cooperados para apresentar um balanço do trabalho realizado desde a criação da cooperativa, em 2011, e firmar um acordo com objetivo de fortalecer todo o processo de produção e comercialização dos produtos.

De pé, Neilton dá as boas vindas aos participantes do evento
O Presidente da COOPAFSERRINHA, Neilton Miranda, afirmou que a cooperativa está crescendo, mas ainda há muitos obstáculos que dificultam a realização do trabalho. Segundo ele o apoio dos parceiros é fundamental para que essas dificuldades sejam superadas.

As diretoras da APAEB Serrinha, Ivoneide Santos e Tereza Rocha, e o colaborador Luiz Lisboa, também presentes no encontro, reafirmaram a parceria com a cooperativa e destacaram a importância do trabalho que vem sendo desenvolvido com os agricultores.


Para Ivoneide Santos, o crescente número de agricultores familiares envolvidos na produção e comercialização demonstra a força da cooperativa no município. Ela acredita que muitas conquistas estão por vir.

Tereza Rocha destacou que um dos desafios da COOPAFSERRINHA é inserir, em seu quadro de associados, agricultores que já produzem e não conseguem escoar a produção. E pediu uma atenção especial para esses produtores.

Os cooperados avaliaram a aprovaram, por unanimidade, o planejamento estratégico da cooperativa. Entre as prioridades do plano estão a melhoria da qualidade dos produtos, a ampliação do quadro de associados e a adequação dos espaços de produção às normas vigentes.


Luiz Lisboa acredita que o fortalecimento da cooperativa deve ser feito através da implementação de políticas públicas e para isso é preciso envolver entidades da sociedade civil e órgãos do poder público local nos debates.

Outro desafio para a entidade é ampliar a participação de homens e jovens na cooperativa. Neilton afirmou que atualmente só 7% dos cooperados são homens e 3% jovens.

Ainda durante o evento, um balanço financeiro da entidade foi apresentado pela diretora financeira, Gildete Silva.
Diretores posam para a foto no final do evento

Experiências de agricultores familiares são destaque em Simpósio sobre Captação de Água da Chuva

Por Daiane Almeida

Durante os dias 12 e 15 de agosto um público diversificado participou do 9º Simpósio Brasileiro de
Captação de Água da Chuva, na Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia. Pesquisas e experiências de captação de água da chuva no Brasil e em alguns países como Somália, Austrália, Peru e Japão foram apresentadas e intercambiadas a partir do tema “Água da Chuva: segurança hídrica para o século XXI”.  O objetivo do evento era refletir o papel da água da chuva para o abastecimento da sociedade frente a problemas de poluição e escassez.

No último dia do evento, uma mesa composta por quatro agricultores experimentadores, entre eles, Abelmanto Carneiro, de Riachão do Jacuípe, Edmar Andrade da Paraíba, José Barbosa de Sobradinho e Geovanio Silva de Retirolandia, mostrou na prática como a população do semiárido vem enfrentando a questão climática na região. Cada agricultor apresentou o trabalho que desenvolve na sua propriedade, e como as tecnologias sociais contribuem para a segurança hídrica do seu sistema.

Edmar Andrade, Paraíba
A importância das tecnologias sociais para o armazenamento da água da chuva no semiárido somadas a outras práticas como o estoque de alimentos, utilização de técnicas de adubação, criação de animais e a produção de alimento para o consumo e a comercialização mostraram que é possível uma convivência qualificada com os fatores climáticos.

“Depois que eu ganhei essa cisterna já melhorou alguma coisa, se antes a gente tinha que comprar a água, agora a gente aprendeu a armazenar e aí gente vai sobrevivendo no semiárido”, disse o experimentador Edmar Andrade durante sua apresentação.

Abelmanto Carneiro, Riachão do Jacuípe
As práticas de convivência com o semiárido, preservação do bioma caatinga e a capacidade de experimentar e inovar com técnicas desenvolvidas pelo próprio agricultor foram evidenciadas também na fala Abelmanto Carneiro. “Hoje vivo muito bem, com as engenhocas que facilitam nosso trabalho, com a produção de ração que a gente consegue estocar, e a capacidade de garantir a segurança hídrica em minha propriedade, pois temos como armazenar mais de 3 milhões de litros. Hoje a gente pode dizer que vive bem no semiárido”, ressalta o agricultor experimentador.

A diversidade de produção do semiárido se expressou também na apresentação de Geovanio Silva,
Geovânio Silva, Retirolândia
agricultor e animador do Programa Uma Terra e Duas Águas da Articulação Semiárido, executado pela APAEB Serrinha. A produção de hortaliças e plantas ornamentais na propriedade da família mostra que o acesso a água é fundamental para garantir a diversidade da produção. “ Nós queremos dizer aos agricultores que é possível sobreviver bem no semiárido, que aqueles que conquistaram uma tecnologia se animem a produzir com a máxima eficiência, para que se perceba que a gente pode ter uma vida digna se tiver políticas para o campo”.

Surge o Simpósio – No início dos anos 1990, o Instituto da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), organizações não governamentais e outras de base comunitária iniciaram a construção de cisternas e ao mesmo tempo perceberam a necessidade de criar um programa que estimulasse a convivência com o semiárido e o manejo adequado da água. Foi então que em 1997, aconteceu em Petrolina, o primeiro simpósio organizado pelo IRPAA e EMBRAPA.
João Gnatlingee, IRPAA

Embora na atualidade o simpósio seja uma das referências de discussão e apresentação de pesquisa sobre a temática, João Gnatlingee, que representa o IRPAA no evento, chama atenção para a necessidade de maior participação das organizações da sociedade civil. “Antes as universidades eram ausentes, hoje estão muito envolvidas, e a sociedade civil deve aproveitar das pesquisas e melhorar ainda mais seu trabalho, além de ampliar ainda mais sua participação”.

Também destacou a importância da participação dos agricultores experimentadores e do intercâmbio com outros países. “Nessa apresentação dos agricultores experimentadores vejo um avanço muito grande. A apresentação da propriedade produtiva até nos anos da estiagem é uma coisa muito boa, isso é um progresso muito grande. Vieram pessoas da África, Somália,  com suas experiências de criação de pasto, algo muito semelhante ao que se faz aqui. Eles disseram que podem aproveitar as experiências para eles lá. Tem essa troca, na África eles já pensam em levar alguém daqui para contar lá nossa experiência, levar produtores”, informou João Gnatlingee.

O evento se encerrou com visitas de campo às tecnologias sociais construídas pela ASA e APAEB no município de Serrinha. Os representantes dos países já citados, além dos demais participantes conheceram de perto as experiências das famílias que conquistaram barreiros, cisternas-calçadão e de enxurrada.