14 outubro, 2014

Carta de apoio a Dilma, publicada pela ASA Brasil

 Pelas vidas e dignidade no Semiárido, apoiamos Dilma
                                                                                         “Quando não tinha nada eu quis.”
                                                                                                                     Chico César

A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) é uma rede de grupos de organizações da sociedade civil voltados à convivência e viabilização do Semiárido, e que reúne hoje cerca de três mil organizações localizadas em toda região. Quando a ASA foi criada, em 1999, o Semiárido se via em um contexto político e social de grande estiagem, uma questão de origem natural porém com consequências de ordem políticas e sociais relacionadas às ações focadas no “combate à seca”. Políticas que desconheciam o protagonismo dos agricultores e agricultoras, sua capacidade de produzir conhecimentos e de tomar a frente dos seus destinos.

Em decorrência das secas, a morte era comum na região, especialmente a morte de crianças. “Um genocídio praticado pelo Estado”, como afirmava o sociólogo Betinho.
As organizações da sociedade civil no Semiárido, organizadas na ASA, tiveram a coragem de lançar ao Brasil uma crítica severa e forte ao modelo de “combate à seca” montado no tripé “coronelismo, enxada e voto”, e propor ações simples, de baixos custos e eficientes para uma política pública na perspectiva da convivência com o Semiárido.

Todavia, foi nestes últimos 12 anos, nos governos Lula e Dilma, a partir dos programas “Fome Zero” e “Brasil sem Miséria”, que a ASA e suas organizações tiveram a oportunidade de propor várias ações que, assumidas hoje como políticas de governo e até mesmo como Políticas Públicas, transformam a realidade na região.

Até o final deste ano, o Semiárido chega a marca histórica de UM MILHÃO DE CISTERNAS construídas, ou seja, 16.000.000.000 (dezesseis bilhões de litros de água). Água disponível ao lado da casa de cada família. Água de qualidade para cerca de cinco milhões de pessoas.

É isso que explica o fato de - entre 2010 até o final de 2013 - o Semiárido ter atravessado a maior estiagem dos últimos 30 anos, e em alguns lugares, dos últimos 60 anos, e não ter tido nem uma só morte humana decorrente da seca, embora tenhamos nos deparado com morte de animais, dizimação de sementes e outros problemas. Esse resultado, a ASA credita à sua própria ação e aos programas e políticas governamentais dirigidos ao Semiárido, entre os quais se pode enumerar: Bolsa Família, Bolsa Estiagem, Seguro Safra, Cisternas de Consumo Humano, Cisternas e Tecnologias Sociais para captação de água para produção, ações na perspectiva da agroecologia, assistência técnica, crédito adequado, início da política de sementes crioulas, eletrificação rural, Minha Casa Minha Vida Rural, aumento real no valor do salário mínimo, Programa de Aquisição de Alimentos - PAA, Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, abertura de escolas, Institutos Federais e campi de universidades públicas nos municípios rurais, entre muitos outros.

É justamente por constatar que a histórica realidade injusta, cruel, desumana e desrespeitosa começa a ser mudada no Semiárido, que o povo desta região se expressa majoritariamente e, por vez, maciçamente, pela continuidade do projeto político que aí está sendo construído.

Neste contexto, a ASA repudia as afirmações de todos aqueles e aquelas que caracterizam o Semiárido e o Nordeste como lugar de povo desinformado e incapaz, desmerecem o nosso voto e expressam nos meios de comunicação seus preconceitos e desconhecimento da realidade. O fato de Dilma ter maioria de votos em estados como o Piauí merece, sim, muita reflexão, mas para perceber que o Brasil anterior aos governos Lula e Dilma não existe mais. Hoje temos mais dignidade. Pena, que quem traz tamanha carga de preconceito contra nossa região, seja justamente quem teve a oportunidade fazer diferente e preferiu apostar na velha política do “combate à seca”.

Nós, que não aceitamos mais nenhum tipo de violência, física ou simbólica, explicitamos aqui que o voto do povo do Semiárido é um voto inteligente, que expressa sua vontade, sua história e seus processos de convivência com a região. Expressam nosso direito de ampliar e consolidar políticas como as em vigor de convivência com o Semiárido que estão em vigor.

Ampliar e consolidar significa também que o processo de convivência ainda exige muitas outras ações e políticas que precisam ser assumidas pela Presidenta Dilma, a exemplos da Reforma Agrária e do reconhecimento e legalização do direito ao território de povos e comunidades tradicionais; da democratização dos meios de comunicação; do enfrentamento da monocultura; do controle e diminuição do uso indiscriminado de agrotóxicos, e outras questões que estão diretamente relacionadas à vida no campo e na cidade.

Sabedora do significado de cada uma das candidaturas, a ASA vem manifestar seu apoio ao projeto representado pela Presidenta Dilma Rousseff, conclamando a mesma a incorporar em seu programa de governo os pontos acima descritos, pois isso significaria aprofundar e explicitar mais e mais a opção pelos mais pobres, pelos excluídos e pela convivência harmônica entre pessoas e natureza.

Neste contexto, a ASA conclama todas as organizações, famílias e pessoas que aqui vivem, e que tiveram suas trajetórias mudadas nos últimos anos, a ocupar as ruas e as urnas por mais vida e mais dignidade no Semiárido.

#PeloSemiaridoDilma


Recife, PE, 10 de outubro de 2014


Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)

25 setembro, 2014

‘’Minha cisterna tá quase cheia. Quero produzir em qualquer época do ano’’

Por Mirian Oliveira


As primeiras famílias que conquistaram as cisternas do Projeto Uma Terra e Duas Águas, da Articulação no Semiárido – ASA, financiado pelo Banco de Desenvolvimento Social – BNDES e executado pela Apaeb Serrinha nos municípios de Nordestina, Cansanção e Queimadas, já estão produzindo e desenvolvendo o caráter produtivo.

Na comunidade de Deus Dará, em Nordestina, por exemplo, 80% das famílias que conquistaram as tecnologias já desfrutam de uma alimentação mais saudável através do cultivo de frutas, hortaliças, verduras, legumes e animais dos próprios quintais.   É o caso do casal de agricultores seu José e dona Noélia, que tem uma cisterna-calçadão, no quintal deles é possível ver um grande quantidade de fruteiras, horta e da implantação do caráter produtivo escolhido pela família para criação de galinhas, o qual já esta completamente finalizado.
Empolgado, seu José fala da sua experiência e da mudança após a chegada da tecnologia.

‘’ Não compro mais ovos, nem galinha. Não tô vendendo, só na necessidade mesmo. Vender mesmo só mais para frente. A ideia é não comprar. Antes dos cursos [GAPA/SISMA] eu plantava um pé de melancia, gastava 900 litros de água para ter a produção. Hoje, a gente usa dois litros de água por planta e fornece o dia inteiro, são dois litros de água a cada 24h, é muito pouco em visto o que a gente fazia tudo com a técnica do gotejamento, eram 20 litros para uma planta só. Agora posso produzir aqui no meu quintal tranquilo umas 50 tipos diferentes de plantas, tudo depois da cisterna, depois dos cursos. E cada vez que vamos plantando, mais a gente toma gosto e não para. Eu tenho uma visão diferente das coisas, tenho uma parte de caatinga nativa, a qual passei a preservar bem mais,não tiro nem para fazer cerca,prefiro comprar. Minha cisterna ta quase cheia, quero produzir em qualquer época do ano’’.

No quintal da família pode encontrar de tudo, pé de manga, goiaba, laranja, tangerina, acerola, melancia, bananeira entre outras riquezas, mas o cantinho favorito da dona Noélia é horta, aqui ela descreve com carinho o que cultiva e da mudança na alimentação da família.
‘’Muita coisa mudou, faço bastante salada. Aproveitei muita coisa e já deixamos de comprar muita coisa também. Tenho na minha horta, a alface, a rúcula, o coentro, o tomate, o pimentão, cebolinha, beterraba tudo molhado com a água da cisterna. Quero aumentar, plantar mais coisas. Estou muito feliz’’.



21 setembro, 2014

Educação contextualizada e convivência com o Semiárido

A APAEB Serrinha participou, na última quinta (18), da Oficina de Formação Continuada para professores da rede municipal, que ensinam a disciplina de Convivência com o Semiárido. O convite, feito pela Coordenação Municipal de Educação do Campo, teve como objetivo inserir as entidades do município no debate e fortalecimento da matéria nas escolas.

De acordo com a coordenadora municipal de Educação do Campo, Núbia Silva, as entidades e famílias tem um papel determinante no sucesso desse processo. Núbia lembrou que a escolha pela disciplina evidencia o desejo de mostrar um Semiárido de possibilidades, com gente capaz e potencial para produzir.

A presidenta da APAEB Serrinha, Ivoneide Santos, destacou que antes da entrada da matéria, as escolas não debatiam o tema. Ela afirmou que a educação contextualizada apresenta ao jovem as potencialidades do seu lugar, estimulando o desejo de permanecer na comunidade, “Se na escola não tem uma educação contextualizada, o jovem não vai querer permanecer na propriedade, porque o que ele conhece é de fora”, enfatizou. 

Ivoneide informou que a APAEB também desenvolve ações educacionais com jovens, que multiplicam informações sobre as técnicas de convivência com o Semiárido nas comunidades, através do Projeto Cantinho da Produção, e sugeriu que outras associações do município façam parte desse debate.

                 Grupo participa de dinâmica sobre a Convivência com o Semiárido e a cultura local

Durante o encontro os professores tiveram a oportunidade de sugerir alterações no conteúdo da disciplina e conhecer melhor a realidade do Semiárido, através de debates e da palestra com o coordenador executivo da Articulação no Semiárido (ASA Bahia), Naidson Batista.

Naidson estimulou a reflexão do grupo sobre a forma negativa como o Semiárido é divulgado na mídia e as experiências exitosas que são desenvolvidas pelos agricultores.

O encontro foi promovido pela Coordenação de Educação do Campo do município de Serrinha, órgão que pertence a Secretaria Municipal de Educação e aconteceu no Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares de Serrinha (SINTRAF). A coordenação informou que outras entidades serão convidas para debater colaborar com o processo de fortalecimento da disciplina.

20 setembro, 2014

Agricultores/as participam de intercâmbio de trocas de experiências

Por Mirian Oliveira


O intercâmbio é uma das ações existentes dentro Projeto Uma Terra e Duas Águas - P1+2, que agora está na segunda etapa: o acompanhamento dessas famílias que foram beneficiadas


Com sorrisos largos, foi assim que ficou marcado o intercâmbio de trocas de experiências entre agricultores familiares do município de Serrinha. O intercâmbio é uma das ações existentes dentro Projeto Uma Terra e Duas Águas - P1+2 da Articulação no Semiárido Brasileiro - ASA, que agora está na segunda etapa: o acompanhamento dessas famílias que foram beneficiadas.

O intercâmbio de experiências reuniu 26 agricultores das comunidades do Alto Alegre, Tanque do Meio e Barra Grande.

Na parte da manhã, o agricultor e também experimentador Edson de Jesus sua esposa Valmira, abriu as portas da sua propriedade para compartilhar e trocar saberes com os demais presentes.
O casal possui uma cisterna-calçadão. Ao redor da cisterna eles desenvolvem diversas atividades, como: plantio de amendoins, cultivo de hortaliças, verduras, legumes, plantas medicinais, plantas ornamentais, entre outras. Mas não é apenas essa atividade que eles desenvolvem por lá, como destaca seu Edson.

‘’Recebi o caráter para galinhas, e já fiz, mas vou aumentar, e tenho porcos também, crio de tudo.O que vejo que dar to criando. Hoje a gente ta 50% melhor do que era. Plantamos tomates, teve muito tomate aqui. Ganhei muito dinheiro. Receber visitas hoje aqui na minha propriedade é uma honra, um orgulho. Estou aprendendo com eles e passando um pouquinho do eu sei. Estou muito feliz, muito feliz’’.

Família construindo o canteiro econômico 
No período da tarde as famílias seguiram para a propriedade da agricultora Maria Raimunda, onde ela também possui uma cisterna calçadão e já produz, porém é carente de estrutura. Ela recebeu o caráter produtivo para horta, mas não implantou completamente, daí pela necessidade e também para que todos participassem da construção de um canteiro econômico, foi construído um canteiro econômico ao redor da cisterna da dona Maria Raimunda, onde todos passaram suas experiências e trocaram informações tanto da construção como sobre cobertura morta e plantio. Feliz, tanto pela conquista da tecnologia e agora por ter um canteiro feito de blocos, como ela queria, dona Raimunda nos fala da importância de intercâmbios como este.

‘’Tudo ótimo. Um sonho realizando e ter direito de conhecer um pouco mais. A troca de experiências é muito boa. E pra mim esta sendo maravilhoso ver a multidão toda ajudando o outro, muito gostoso mesmo. Vou plantar aqui para a minha família, sair do agrotóxico. Quero plantar a alface, o coentro, cebolinha, pimentão, tomate, cebola, só para o consumo, e não comprar.  Intercambio foi muito aproveitável, quero pelo menos tentar imitar algumas coisas que eu vi’’.
D.Raimunda exibindo frutos do seu quintal

Durante a visita a horta e as demais técnicas de convivência no semiárido, os agricultores/as puderam trocar experiências e saberes sobre tipos de adubos, formas de irrigação, combate a pragas, qual tipo de solo ideal para cada planta, além de levarem para casa mudas de algumas culturas que não tinham nos seus quintais.
                                                                                                                                                 

14 setembro, 2014

Sucesso do Mais Água em Serra Preta motiva criação de Feira Agroecológica

Por Arlene Freire 

Inaugurada no último sábado (13), a Feira Agroecológica de Serra Preta surgiu como alternativa para a comercialização da produção de agricultores familiares beneficiários do Projeto Mais Água no município. O projeto é fruto da parceria entre a APAEB Serrinha e a Articulação do Semiárido (ASA), e executado com a colaboração da Comissão municipal de Recursos Hídricos. 

Organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Serra Preta (STTR) a Feira Agroecológica aconteceu na comunidade do Bravo. 

De acordo com o presidente do STTR, Braquistone Santana, a feira foi o caminho encontrado para oferecer aos agricultores um espaço onde pudessem vender seus produtos. Ele informou que a meta é manter a feira funcionando todos os sábados, mas para que isso aconteça é preciso estruturar o espaço. “Precisamos de barracas próprias para os agricultores. As que temos são emprestadas, mas vamos buscar parceiros que possam nos ajudar” declarou.  



Só em Serra Preta o Mais Água construiu 114 tecnologias para captação de água da chuva e cultivo de hortaliças, visando promover a segurança alimentar e nutricional. 

Satisfeita, a agricultora Cleonice que já entrega seus produtos em outras comunidades, contou que tem clientela certa e comemorou o resultado da feira.

video

A agricultora Irene, disse que começou a produzir a pouco tempo, mas já é possível sentir as mudanças na propriedade e na vida da família. Ela informou que entrega seus produtos para dois supermercados do município, além de vender para os vizinhos. Dona Irene afirmou que a chegada da cisterna transformou a vida de muitas famílias do município.

convidada para falar na mesa de abertura da feira, Dona Irene
pediu que ações de apoio a agricultura familiar se mantenham 

O coordenador do Projeto na APAEB Serrinha, Valdir Alves, lembrou que toda a execução do Mais Água é fruto da parceria entre a APAEB Serrinha e entidades locais que compõem a Comissão municipal de Recursos Hídricos e destacou que as ações desenvolvidas estão contribuindo para minimizar os efeitos da seca no município, permitindo que homens e mulheres possam produzir para a própria alimentação e comercialização.





Também são atendidos pela APAEB Serrinha os municípios de Anguera, Feira de Santana, Ipecaetá, Ipirá e Tanquinho. Até o final do ano serão construídas 651 estruturas hídricas, divididas em comunitárias e individuais, como cisternas de produção, barragens subterrâneas, barreiros trincheira e tanques de pedra, além da instalação de três bombas d’água e limpeza de aguadas. Também serão implantados 100 quintais produtivos.

"Muita coisa boa ainda vai acontecer no município, por causa
do Mais Água. Nós temos agricultores capazes de produzir
e demonstrar seu trabalho".
Milena Buraem - Secretária de Políticas Agrícolas e Agrárias do STTR

"O Mais Água promoveu uma revolução em Serra Preta.
Somos um município rural, mas muitos nem sabiam o que
eram as tecnologias. A ação provocou uma revolução".
Márcio Lima - Animador do Mais Água em Serra Preta.
"Recebi um barreiro e não tenho como explicar a mudança.
A gente que tinha aguada pequena, sempre ficou sem
água no tempo da seca, agora com o barreiro podemos
criar nossos animais. Só tenho a agradecer".
Valdemar - Beneficiário Mais Água.

12 setembro, 2014

Histórias de vida e inclusão digital

Por Arlene Freire 

O Instituto de Cooperação Belgo- Brasileira para o Desenvolvimento Social (disopbrasil), em parceria com a entidade Belga Comundos, realizou nos últimos dias 10 e 11 o Seminário Internacional de Histórias Digitais. O evento foi realizado no Centro de Orientação Vocacional Mãe Igreja em Feira de Santana e teve como objetivo apresentar a técnica de produção de histórias digitais para entidades parceiras do disopbrasil, que trabalham com agricultores familiares, a exemplo das Escolas Famílias Agrícolas e a APAEB Serrinha.

As histórias digitais são pequenos vídeos elaborados com recursos multimídia, como imagens animadas, fotos, música e voz. Os vídeos, com duração de 3 a 5 minutos, podem contar histórias de vida ou apresentar temas de interesse local.

De acordo com o representante da Comundos, Bart Vetsuypens, o primeiro encontro serviu para mostrar as entidades o que são as histórias digitais e a importância de produzir esses vídeos. Bart destacou ainda que a produção de histórias digitais é uma forma lúdica de promover a inclusão digital e de abordar temas relevantes.

Um novo encontro será realizado em 2015, para capacitar educadores sobre as etapas de produção dos vídeos, na perspectiva de que os participantes se tornem multiplicadores da técnica. 


O seminário contou com a participação de representantes de entidades da Bahia e do Rio de Janeiro.
Participantes se reúnem para a foto no final do evento


Fotos: Fundação APAEB.

02 setembro, 2014

Votação Online do Plebiscito Popular por uma Reforma no Sistema Político já começou!


Vote#aqui 

 Por Daiane Almeida


Desde o dia 23 de agosto os movimentos sociais , sindicais, organizações, se uniram ainda mais para fortelcer o debate e a luta por uma Reforma no Sistema Político. Na Semana da Pátria (1 a 7 de Setembro) as pessoas poderão se dirigir a uma urna e responder a seguinte pergnta:Você  é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político? Vote aqui!

Qualquer pessoa ou grupo pode organizar um local de votação com uma urna!

O que é um Plebiscito Popular?

Um Plebiscito é uma consulta na qual os cidadãos e cidadãs votam para aprovar ou não uma questão. De acordo com as leis brasileiras somente o Congresso Nacional pode convocar um Plebiscito.

 Apesar disso, desde o ano 2000, os Movimentos Sociais brasileiros começaram a organizar Plebiscitos Populares sobre temas diversos, em que qualquer pessoa, independente do sexo, da idade ou da religião, pode trabalhar para que ele seja realizado, organizando grupos em seus bairros, escolas, universidades, igrejas, sindicatos, aonde quer que seja, para dialogar com a população sobre um determinado tema e coletar votos.
 O Plebiscito Popular permite que milhões de brasileiros expressem a sua vontade política e pressionem os poderes públicos a seguir a vontade da maioria do povo.
 O que é uma Constituinte?
 É a realização de uma assembleia de deputados eleitos pelo povo para modificar a economia e a política do País e definir as regras, instituições e o funcionamento das instituições de um Estado como o governo, o Congresso e o Judiciário, por exemplo. Suas decisões resultam em uma Constituição. A do Brasil é de 1988.

 Porque uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?
 Nos meses de Junho e Julho de 2013 milhões de jovens brasileiros foram às ruas para lutar por melhores condições de vida, inicialmente contra o aumento das tarifas do transporte, mas rapidamente a luta por mais direitos sociais estava presente nas mobilizações, pedia-se mais saúde, mais educação, mais democracia. Nos cartazes, faixas e rostos pintados também diziam que a política atual não representa essa juventude, que quer mudanças profundas na sociedade brasileira.

 As mobilizações das ruas obtiveram conquistas em todo o país, principalmente com as revogações dos aumentos das tarifas dos transportes ou até diminuição da tarifa em algumas cidades, o que nos demonstrou que é com luta que a vida muda! Mas a grande maioria das reivindicações não foram atendidas pelos poderes públicos.

 Não foram atendidas porque a estrutura do poder político no Brasil e suas “regras de funcionamento” não permitem que se avance para mudanças profundas. Apesar de termos conquistado o voto direto nas eleições, existe uma complexa teia de elementos que são usados nas Campanhas Eleitorais que “ajudam” a garantir a vitória de determinados candidatos.

 A cada dois anos assistimos e ficamos enojados com a lógica do nosso sistema político. Vemos, por exemplo, que os candidatos eleitos têm um gasto de Campanha muito maior que os não eleitos, demonstrando um dos fatores do poder econômico nas eleições. Também vemos que o dinheiro usado nas Campanhas tem origem, na sua maior parte, de empresas privadas, que financiam os candidatos para depois obter vantagens nas decisões políticas, ou seja, é uma forma clara e direta de chantagem. Assim, o ditado popular “Quem paga a banda, escolhe a música” se torna a melhor forma de falar do poder econômico nas eleições.

 Além disso, ao olharmos para a composição do nosso Congresso Nacional vemos que é um Congresso de deputados e senadores que fazem parte da minoria da População Brasileira. Olhemos mais de perto a sua composição:
  • mais de 70% de fazendeiros e empresários (da educação, da saúde, industriais, etc) sendo que maioria da população é composta de trabalhadores e camponeses.
  • 9% de Mulheres, sendo que as mulheres são mais da metade da população brasileira.
  • 8,5% de Negros, sendo que 51% dos brasileiros se auto-declaram negros.
  • Menos de 3% de Jovens, sendo que os Jovens (de 16 a 35 anos) representam 40% do eleitorado do Brasil.
 Olhando para esses dados, é praticamente impossível não chegar a conclusão de que “Esse Congresso não nos representa!!!” e que eles não resolverão os problemas que o povo brasileiro, em especial a juventude, levou às ruas em 2013.

 E para solucionar todos esses problemas fundamentais da nossa sociedade (educação, saúde, moradia, transporte, terra, trabalho, etc.) chegamos a conclusão de que não basta mudarmos “as pessoas” que estão no Congresso.

 Precisamos mudar “as regras do jogo”, mudar o Sistema Político Brasileiro. E isso só será possível se a voz dos milhões que foram as ruas em 2013 for ouvida. Como não esperamos que esse Congresso “abra seus ouvidos” partimos para a ação, organizando um Plebiscito Popular que luta por uma Assembléia Constituinte, que será exclusivamente eleita e terá poder soberano para mudar o Sistema Político Brasileiro, pois somente através dessa mudança será possível alcançarmos a resolução de tantos outros problemas que afligem nosso povo.

Fonte: site da campannha http://www.plebiscitoconstituinte.org.br