25 maio, 2015

A II Conferência de Segurança Alimentar de Serrinha pautou os desafios e avanços do debate sobre alimentação no município

Por Daiane Almeida - Comunicadora Popular


Com o tema “Comida de verdade no campo e na cidade: Por direito e cidadania” teve início a Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional no município de Serrinha, na tarde do último dia 21, no prédio da Funasa.  Estiveram presentes representantes da sociedade civil e do poder público debatendo os seguintes eixos temáticos: eixo 1 : Comida de verdade: avanços e obstáculos para a conquista da alimentação adequada e saudável e da soberania alimentar; eixo 2: Estratégias em andamento para a conquista da comida de verdade no âmbito local, 4 estadual, regional, nacional e internacional e no eixo 3: Aperfeiçoamento e ampliação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional: pacto federativo, participação social e intersetorialidade.

O município tem avançado na constituição de espaços essenciais como o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional, no ano de 2004. Atualmente está em processo de adesão ao Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) e formou o Grupo Governamental de Segurança Alimentar (GGSAN). Durante o ano de 2011 foi realizado um curso de formação para agentes municipais e no ano de 2012 um diagnóstico, que identificou as irregularidades na forma como os alimentos eram expostos na Feira Livre. A partir de então a feira foi reorganizada.

Kamilla Santos (MOC)
Kamilla Santos, representante do MOC ficou responsável por abordar o significado da temática central da conferência, em sua fala abordou as diferenças entre os níveis de insegurança alimentar, que podem ser leve, moderada e grave, levantou avanços importantes em nível nacional, como a saída do Brasil do mapa da fome, a inserção do direito a alimentação na Constituição, a criação programas como o PAA e PNAE, entre outros.

Desafios - A II Conferência foi um espaço importante para se reconhecer a necessidade de avançar em outros aspectos, como a construção do Plano Municipal de Segurança Alimentar, e consequentemente na dotação orçamentária do poder público municipal para executá-lo.

Há também avanços consideráveis no campo do armazenamento de água para a produção de alimentos através de tecnologias sociais de captação de água da chuva, como as cisternas, barreiros, barragens entre outros, construídos por entidades da sociedade civil como a APAEB Serrinha, através do Programa Uma Terra e Duas Águas e o poder público
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Nubia Silva (Vice-pres. do COMSEA-SHA)
Nubia Silva, vice-presidente do COMSEA trouxe uma reflexão acerca da discussão sobre alimentação no país e em Serrinha. “O governo Lula trouxe uma preocupação com a erradicação da miséria.  Já havia estudos como o mapa da fome, mas nenhum governo tinha pensado políticas e de lá pra cá só foi conquistas. A gente já tem o Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) no estado e em Serrinha podemos dizer que tem uma política pública que contempla o conselho, e o grupo governamental. Uma segunda etapa é a elaboração do plano. O nosso objetivo aqui é tratar estratégias para esse plano. Todos tem que assumir o esforço para que toda a população que está aí tenha acesso a alimento em quantidade e qualidade.

“O grupo governamental (GGSAN) está precisando correr atrás do tema, vamos procurar já na próxima semana nos reunir e ver o plano municipal e buscar os aportes financeiros”, disse Jorge Gonçalves, secretário de Saúde do município e membro do GGSAN.
Tereza Rocha e Silvaney Santiago
(ambos APAEB e COMSEA- Serrinha)


Silvaney Santiago, membro do Conselho e representante da sociedade civil, através da APAEB Serrinha, debateu o eixo 2. O debate girou em torno dos avanços e obstáculos para se atingir uma alimentação saudável.

Os três eixos foram debatidos e ao final os grupos levantaram propostas que deverão ser encaminhadas para as etapas territorial e estadual das Conferências. Também foram eleitos os delegados/as da sociedade civil e poder público que participam dessas etapas.


Entre as diversas propostas que surgiram nos três eixos, estão a realização de um novo diagnóstico que identifique a situação da insegurança alimentar no município, a ampliação das tecnologias de armazenamento de água para produção de alimentos, regularização das terras das famílias agricultoras, produção de campanhas educativas, entre outras.

Durante os dois dias do evento foi montado um pequeno stand onde as agricultoras que participam da Feira Agroecologica do município comercializaram seus produtos.

























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17 abril, 2015

Agricultora afirma ter 100% de aprendizado em curso do P1+2

Por Daiane Almeida
Comunicadora Popular da ASA



Aprendendo a fazer a bandeja de mudas
Quando agricultores e agricultoras se encontram para partilhar seus conhecimentos e aprendizagens novos conhecimentos são construídos. Assim tem sido a rotina dos cursos do Programa Uma Terra e Duas Águas.  Hoje (17) se encerra mais um curso de Manejo de Sistema Simplificado de Água para Produção (SISMA), que está acontecendo na Comunidade Canto, em Serrinha. 




Maria Neuza
Com a facilitação do agricultor experimentador Abelmanto Carneiro, as famílias puderam conhecer técnicas que contribuem para um uso econômico da água, além de técnicas de controle de pragas e produção de adubos orgânicos. Hoje a turma irá conhecer formas de fazer enxertos em plantas.

A agricultora Maria Neuza Cruz, da Comunidade Cobiça, Teofilândia, esteve atenta e tirando todas as dúvidas que tinha. “Umas das minhas preocupações era as pragas, eu consegui tirar as dúvidas que tinha sobre isso. Às vezes a gente faz muda e ela não cresce, já sei que tem que criar um microclima para ela desenvolver. Eu achei tudo interessante, para mim foi 100% proveitoso”. 




Ailton em sua propriedade na Comunidade Cruzeiro da Paz
Outro agricultor que está participando da atividade é Ailton da Comunidade Cruzeiro da Paz, de Serrinha, ele contou que não conseguiu dormir, pensando em tantas informações que recebeu durante o primeiro dia do curso. “É muita informação e eu quando sair daqui já vou testar.  Essa noite não dormi, pensando em tudo o que vi. Acho que a técnica da bandeja de mudas vai ajudar muito na minha produção”, afirmou o agricultor que conquistou uma cisterna de enxurrada. 

A diretora da APAEB, Tereza Rocha recebeu os participantes na comunidade e afirma ser muito interessante ver a empolgação do grupo. “É muito interessante perceber o quanto as pessoas estão empolgadas com as práticas demonstradas no curso. Cada um e cada uma vem com o seu saber próprio, aqui tem a oportunidade de ampliar ainda mais seu conhecimento”, concluiu Tereza Rocha. 

Colocando em prática as orientações do facilitador Abelmanto

20 março, 2015

ASA Bahia avalia sua trajetória em 2014 e planeja novas ações para 2015

Por Daiane Almeida
Comunicadora Popular da ASA

Durante os dias 18 e 19 de março, aconteceu no município de Feira de Santana, o Encontro Estadual da Articulação Semiárido na Bahia. Participaram da atividade agricultores e agricultoras, técnicos, coordenadores e membros de comissões de recursos hídricos das diversas microrregiões do estado, onde a articulação atua.

O objetivo do encontro foi avaliar as ações da ASA Bahia no ano de 2014 e planejar as ações para o ano de 2015. Na avaliação de Naidison Baptista, coordenador da articulação no estado, a rede conseguiu dar passos importantes, realizando um bom trabalho durante o ano. “Avançamos em algumas discussões como o gênero e a comunicação, sobre estes temas foram realizados encontros estaduais de qualidade, e também no campo da formação da convivência com o semiárido. No entanto, é preciso multiplicar essas formações nas nossas localidades, na perspectiva de ampliar ainda mais os debates”, afirmou Baptista em fala durante a plenária.

Num segundo momento, os participantes foram chamados a refletirem sobre os desafios da ASA-BA para o ano de 2015. Neste sentido, em grupo, se discutiu sobre quais seriam as prioridades a serem trabalhadas durante este ano. Alguns temas que já são debatidos pela articulação apareceram com mais intensidade nas falas dos participantes. Entre eles estão o debate sobre a assistência técnica rural (ATER), a terra e o fortalecimento institucional.

Demais temáticas como segurança alimentar, comunicação e gênero,também foram apontadas como importantes pelos grupos. Não perdeu-se de vista a dimensão da convivência com o semiárido e os processos de formação como linha principal a ser mantida pela ASA.

Para estimular o andamento das questões dentro da rede, foram criados  grupos de trabalho, que irão fomentar os debates e a realização de atividades.

28 janeiro, 2015

Agricultoras solicitam momentos de formação para ampliar conhecimentos

Foi realizado um dia campo. A atividade aconteceu na Comunidade Mandacaru.

Por Daiane Almeida

As mulheres agricultoras de Serrinha apresentam e comercializam os produtos de seus quintais na Feira Agroecologia, espaço que conquistaram e que hoje dividem com a feira tradicional do município. Interessadas em ampliar seus conhecimentos sobre técnicas de produção e tirar dúvidas, elas solicitaram que fosse realizado momentos de formação, principalmente aquelas que não recebem assistência técnica. A APAEB Serrinha em parceria com o MOC realizou dois dias de campo com as agricultoras. O primeiro aconteceu dia 19 de janeiro, e o segundo no último dia 26.

O dia de campo é uma metodologia que envolve prática, onde as pessoas interagem e tiram dúvidas, trocam experiências. No dia 26 a atividade aconteceu na casa de Dona Catarina dos Santos, lá, as agricultoras das comunidades Canto, Salgado, Vertente, Mandacaru, Recanto e Sucupira 2,  aprenderam algumas técnicas como o canteiro econômico, a batata de salvação, o canteiro candeeiro, compostagem e curtição do adubo.

Cerca de  30 pessoas participaram da atividade, entre elas, Roseli Silva, da Comunidade Sucupira, segundo ela é preciso correr atrás do conhecimento. “Eu fui disposta a ensinar algumas coisas e acabei aprendendo muito mais. A horta econômica eu já conhecia, mas de outro jeito. É importante aprender coisas que você não sabe, conhecer tecnologias e correr atrás do que a gente ainda não tem, buscar conhecimento”.  Na barraca que ela ocupa na feira agroecológica é possível encontrar frutas e hortaliças todos os sábados pela manhã.

As mulheres contaram com a contribuição de Edcarlos Almeida, técnico que facilitou esse momento de troca de conhecimentos, que
explicou quais materiais são necessários e qual a utilidade de cada uma para a produção de alimentos e gestão da água. Durante entrevista para o blog da APAEB Serrinha ele explicou com detalhes:


Daiane Almeida - Qual o objetivo de realizar um dia de campo com os agricultores?

Edcarlos Almeida - Os agricultores estavam com duvidas sobre a quantidade adubos, controle de pragas percebemos que eles estavam com dificuldades, então a atividade foi pra contribuir nesse sentido, e com o foco na agroecologia.

D. Almeida - Como se faz um canteiro econômico e qual a sua utilidade?

Canteiro econômico



E. Almeida – Conversamos e fizemos na prática o canteiro econômico. Utilizamos bloco, lona, cano pvc, telhas, joelho, cap, palhas de feijão, terra vegetal (quixaba), esterco de ovelhas. Ele é chamado econômico ou água no ponto certo, pois tem o objetivo de economizar a água e o tempo, já que a família não precisa perder tempo regando o canteiro. Outro objetivo do canteiro é que no período chuvoso é possível drenar a água caso o terreno seja inundado.


D. Almeida - Por que importante curtir o esterco antes de usar diretamente como adubo na hortaliça?

E. Almeida - Por que ele não consegue cumprir sua função sem passar pelo processo de curtição. Escolhemos um local com sombra, colocamos uma quantidade de esterco, molhamos e reviramos durante 12 dias, ao final desse tempo ele perde o cheiro forte de urina e adquire o cheiro de capim molhado, quando chega nesse ponto já pode ser utilizado.

D. Almeida - Como deve ser feita a compostagem?

E. Almeida - Escolhemos um local a sombra, começamos com uma camada de esterco, em seguida uma camada de folhagem verde, restos de comida, casca de fruta, restos da horta, alternando esse material.  A cada camada, devemos colocar água. Ao final ele fica em forma de pirâmide. Após oito dias descansando faz a primeira viragem . Lembrando que antes da viragem coloca alguma ferramenta de trabalho como vergalhão ou até mesmo facão no meio da compostagem por período de 10 minutos para sabermos a temperatura e como está se dando o processo de decomposição.
Após esse tempo se a ferramenta estiver muito quente ao revirarmos devemos jogar mais água, se estiver frio devemos colocar esterco fresco, se estiver morno significa que o processo de decomposição está indo bem. Repete-se essa observação a cada 05 dias. Após 70 dias ou o desaparecimento de todos os seus ingredientes, a compostagem poderá ser usada na adubação.
Canteiro candeeiro

D. Almeida – Como funciona a técnica do Canteiro Candeeiro?

E. Almeida - O material utilizado é uma garrafa pet e um pavio que pode ser feito com pano. Corta-se a garrafa ao meio, na parte afunilada, que corresponde a boca da garrafa, põe-se o pavio, passando pelo gargalo até a sua extremidade, coloca-se  terra vegetal adubada. Na parte cortada que corresponde ao fundo da garrafa, será colocada água e servirá de  suporte da parte afunilada. Lembrando que o pavio deverá ter contato com a água. Podemos plantar na parte afunilada diversas hortaliças como alface, coentro, cebolinha, hortelã, pimenta, pimentão entre outros.  O pavio irá transportar a água para as raízes dessas culturas.


D. Almeida – A batata de salvação é uma técnica que também utiliza a garrafa pet, qual a sua utilidade e como pode ser praticada?

Batata de salvação
E. Almeida - Ela serve para molhar as raízes de plantas frutíferas. O material utilizado é uma garrafa pet, isopor, canudo  e um pavio. É preciso fazer um pequeno furo próximo ao gargalo ou “pescoço” da garrafa onde será introduzido o pavio. Um pedaço de isopor é colocado dentro da garrafa, em seguida é furado pelo canudo, formando uma boia. Através dessa boia é possível saber o nível da água. A batata-de-salvação é colocada dentro da cova da árvore frutífera, logo no ato do plantio. Ela funciona da seguinte maneira: o pavio transportara a água de dentro da garrafa para as raízes, que aproveita somente o necessário para a sua sobrevivência e produção de seus frutos, num processo de capilaridade. Caso o canudo esteja baixo, significa que a garrafa está seca e necessita repor a água pela abertura da garrafa.

D. Almeida – Qual a sua avaliação sobre o dia de campo?

E. Almeida - Diante de todo o trabalho durante o dia, as agricultoras expuseram suas ideias, dificuldades, e suas dúvidas nos seus processos de produção de alimentos dentro do seu sistema produtivo familiar. Dentro das reuniões de planejamento e discussões da feira éramos muito questionados para uma formação sobre produção de alimentos agroecológicos, controle de pragas, plantio, transplante e colheita. Surgiram sugestões de realizarmos mais formações, também sobre manejo de pequenos animais. Foi um momento muito rico de participações e troca de experiências entre as agricultoras.

15 janeiro, 2015

Comunicação popular e comunitária no centro do debate

Encontro refletiu sobre a comunicação feita na rede ASA BA e nas comunidades rurais, tendo a participação dos agricultores/as como destaque. 

Por Daiane Almeida


Evento foi marcado por momentos de mística e animação entre os participantes
A comunicação comunitária e popular desenvolvida pela rede de comunicadores,  organizações da ASA e agricultores/as  tem se mostrado uma forte aliada na luta pela convivência com o semiárido, neste sentido, foi  o tema central de debate Encontro de Comunicação da ASA Bahia, realizado entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Feira de Santana , que também abriu espaço para a discussão acerca da democratização e do direito a comunicação.

A participação dos agricultores/as trouxe a tona o debate sobre quais as formas e quais os espaços são utilizados por eles/as nas comunidades rurais para se comunicarem. Eles/as traçaram uma linha de como era antes e o que mudou. O grupo destacou os avanços, mas também trouxe algumas limitações, como a dificuldade de acesso a sinal de telefonia e internet, bem como o controle de rádios comunitárias por grupos de interesses.

Naidison Baptista, coordenador da ASA -BA
Durante a participação de Naidison Baptista, coordenador executivo da ASA pelo estado da Bahia, ele ressaltou a dimensão do papel da comunicação popular para rede e para a vida dos agricultores/as.  “A comunicação é uma proposta política. Uma tarefa política. A nossa comunicação é a favor da sociedade que nós queremos construir. Comunicador popular é para estar a serviço da causa da inclusão, da sociedade que queremos. Esse é o meu campo enquanto comunicador popular”.

Seguiu ressaltando em sua fala: “Construir a sociedade que a gente quer, dá trabalho. A ASA tem um diferencial e esse diferencial quem faz são os agricultores/as. A nossa comunicação tem que tá desse lado, o da inclusão. É a comunicação enquanto proposta política de instrumento de inclusão. Nisso temos duas proposta: para mudar o mundo: temos que anunciar e denunciar. Isso é comunicação”.


Delaídes Paixão (Dedé)
Na metodologia do encontro, a apresentação das experiências de comunicação  ganharam destaque durante o segundo dia do evento. Jovens rurais do projeto Comunicação Pelos Direitos apresentaram a experiência da Rádio Poste na Comunidade Lagoa Grande, no município de Retirolândia.  Outra experiência de comunicação popular ficou por conta da Radio Curaçá FM, que realiza um trabalho comunitário com objetivo de dar destaque ao potencial e também aos desafios do lugar.

Curaçá fica a 90 km de Juazeiro. O trabalho com a rádio comunitária é desenvolvido desde 2005, e vem dando certo segundo Delaides Paixão, Dedé. “A rádio vai fazer 10 anos, e foi feita especialmente para comunidade. O povo tem visto a necessidade de uma comunicação comunitária que seja provocadora dos direitos de cada um nas nossas discussões. A comunicação é um direito de fato, mas ela tem que chegar com qualidade de fato, e chegar para todas as pessoas, a gente quer a perfeição, não vamos chegar, mas a gente busca”, afirmou Dedé, que é integra a diretoria da rádio.

Segundo Breno Santiago, que apresentou a experiência do Projeto Comunicação pelos Direitos, que tem o apoio do MOC, um dos objetivos do projeto é denunciar as violações aos direitos das crianças e adolescentes em 10 comunidades rurais de municípios da região do Sisal.

Antônio Jorge (Café)e Breno Santiago
Ele também explicou como funciona a rádio poste. “Existe uma comissão gestora na comunidade, associações, igrejas, professora e o grupo de jovens e na sede do município que são os sindicatos, Conselho Tutelar. Dentro do projeto existe uma rádio poste de alto-falante que eu e Paulo César [outro integrante do projeto] trabalhamos nessa rádio. Desenvolvemos programas voltados para os diretos das crianças e dos adolescentes. As crianças participam. Lá fala sobre trabalho infantil, gravidez na adolescência, todos esses temas sobre exploração dos direitos das crianças. O projeto existe em 10 cidades”.


A atividade foi finalizada com a construção de linhas e ações que poderão ser utilizadas durante o ano de 2015 para fortalecer a luta pela convivência com o semiárido através da comunicação popular realizada através das ações da Articulação Semiárido na Bahia.


22 dezembro, 2014

Mais Água: intercâmbios mostram um Semiárido de prosperidade e oportunidades

por Arlene Freire

Histórias de perseverança e sucesso não faltaram na semana de intercâmbios realizada pela APAEB Serrinha, nos últimos dias 15, 16, 18 e 19, com agricultores (as) do Projeto Mais Água. Dois grupos de agricultores conheceram propriedades nos município de Serrinha, Riachão do Jacuípe, Caém e Jacobina e trocaram experiências sobre a produção de hortas econômicas, captação e armazenamento da água e muitas outras formas de conviver com o Semiárido.

Na primeira visita, agricultores dos municípios de Anguera e Ipecaetá, conheceram hortas econômicas, sistemas de captação e armazenamento de água da chuva, produção de ração, para caprinos, ovinos e aves, e várias técnicas desenvolvidas para tornar possível a convivência com a estiagem, em Serrinha e Riachão do Jacuípe.

Na propriedade do agricultor experimentador, Abelmanto Carneiro, os visitantes conheceram bombas d’água feitas pelo próprio Abelmanto, um sistema de biodigestão, usado para produzir gás de cozinha, além de diversas tecnologias usadas para armazenar água da chuva. Interessados em levar novos conhecimentos para aplicar em suas propriedades, os visitantes prestavam atenção a cada detalhe apresentado, perguntando a cada dúvida e compartilhando suas próprias experiências.

                      Atentos, os agricultores prestam atenção em todos os detalhes

O agricultor Antônio Gonçalves, da comunidade de Guaribas, município  de Anguera, lembrou que alguns dias antes assistiu uma reportagem sobre a propriedade de Abelmanto e ficou muito feliz por conhecer pessoalmente o agricultor e suas experiências.

Empolgado com as novidades, Seu Antonio testa a bomba giratória, feita por Abelmanto
Animado, representante da Comissão de Recursos Hídricos do município de Anguera, Genário Pinheiro, disse que deseja ver todo o conhecimento oferecido pelos encontros sendo empregados nas comunidades. 

No segundo intercâmbio, realizado nos dias 18 e 19, nos municípios de Caém e Jacobina, mais histórias de persistência e sucesso foram apresentadas aos agricultores dos municípios de Serra Preta, Ipirá, Feira de Santana e Tanquinho.

Na primeira parada em Caém, os visitantes conheceram a família de Dona Maria Carolina da Silva Costa. Filha de agricultores já falecidos, ela contou emocionada que seus pais sofreram muito com a falta de água e hoje a família comemora a chegada das cisternas.



Ainda na comunidade de Caém, os agricultores conheceram a história do casal Aparecido Calegari e Janete Rodrigues, que depois de começarem a produzir hortaliças, decidiram mudar de vida e investir na atividade.

Janete, que é agente de saúde começou a mobilizar a comunidade, no intuito de fortalecer a associação comunitária local. Eles contam que no começo haviam menos de dez associados e hoje a associação conta com a presença de 80 sócios.



Na horta, Aparecido mostra aos visitantes a plantação de gengibre, almeirão, açafrão e um diversidade de plantas que cultiva e  vende 
Satisfeito, Aparecido conta que abandonou o emprego na cidade para se dedicar ao trabalho e que pretende viver da agricultura familiar. Tudo o que é produzido na propriedade, é comercializado nas feiras orgânicas dos municípios de Caém e Jacobina.

Outra propriedade visitada foi a de Seu Givaldo de Jesus Silva, que sempre viveu da atividade agrícola. Ele conta que a chegada da água é a realização de  um sonho antigo.
A agricultora Maristela Pereira, da comunidade de Caroá em Feira de Santana, diz que as ações do  Mais Água estão contribuindo para a melhoria de vida de muitas famílias, que agora tem como produzir seu próprio alimento. Contente com o barreiro trincheira que recebeu, ela revela que tem planos de cultivar muitas frutas e hortaliças.



No segundo dia de atividade, os agricultores conheceram a Feira Orgânica de Jacobina e um pouco da sua história. Os agricultores tiraram dúvidas sobre o processo de comercialização e organização de grupos para a implantação da feira e as plantas cultivadas na região. Eles também aproveitaram para comprar temperos e hortaliças que não encontram em suas comunidades.







19 dezembro, 2014


16 dezembro, 2014

Expectativas pela produção de alimentos e aprendizados animam agricultores/as durante curso do GAPA

Por Daiane Almeida

“Dá. Tudo dá certo. Eu ainda não tenho a cisterna, mas já tenho muita coisa plantada”, foi nesse clima de animação que Dona Maria Júlia Bispo e outras agricultoras e agricultores participaram nos dias 10,11 e 12 de dezembro do curso de Gestão da Água para Produção de Alimentos, do Programa Uma Terra e Duas Águas, executado pela APAEB no município de Serrinha.

Com a expectativa de construir novos conhecimentos, eles/as estavam atentos a cada informação trazida por Abelmanto Carneiro, agricultor familiar e monitor da atividade. Os tipos de solo e suas características; o uso da água para criação de animais e no cultivo de hortaliças; as tecnologias de armazenamento de água; a cultura do estoque de alimentos, esses e outros temas provocaram  debates durante os três dias de curso.

Abelmanto Carneiro, monitor e agricultor familiar
Abelmanto também chamou atenção para a necessidade de se perceber que uma propriedade é um sistema integrado e que pode estar em harmonia. “Se você cultiva a hortaliça e cerca ao redor, você pode criar a galinha. Da horta você se alimenta e alimenta a ave também. Da ave você consome e vende os ovos e ainda tira a renda. Se eu tenho cabras e preciso produzir a ração e não tenho milho e nem posso comprar, eu uso o farelo de palma, que pode ser desidratada na área da calçada da cisterna”, explica Abel, que interage e responde aos questionamentos.



Dona Maria Júlia
Dona Maria Júlia traz em meio à discussão que de tudo ela tem pouco, mas que a esperança é aumentar a produção depois da conquista da cisterna-calçadão. “Depois que eu tiver água na minha cisterna quero ampliar ainda mais. Já criei muita galinha, e de tudo tenho um pouco: alface, coentro, cebolinha, pimentão, manga, laranja, cajueiro, goiabeira, mamão e hortelã. Vendo na feira de sábado e ganho meu dinheirinho extra. Minha família é muito grande. Eu ajudo eles também. Nem eu, nem meus filhos compramos hortaliças e verduras. É sem veneno e econômico”, ressalta Dona Maria Júlia, sobre a produção de alimentos naturais direto do quintal de casa.

Quem já tem uma tecnologia funcionando sabe o quanto pode ser útil para melhorar a produção e qualidade de vida da família. Jucicleide Ramos Santos é líder da Associação na Comunidade Barra do Vento e conquistou a cisterna de produção em 2012. Ela acompanhou os vizinhos da comunidade durante o curso, e contou como a qualidade de vida da sua família melhorou.

Jucicleide Ramos
 “Tenho minha produção de horta, criação de galinhas e frutas para o consumo da minha família. Minha vida mudou muito. Eu pegava água no tanque do vizinho e era briga por que ele achava que a gente tava acabando a água dele. Na minha comunidade não tinha associação. Minha mãe era sócia na comunidade vizinha. Aí eu me animei e fundamos em 2007 a associação da nossa comunidade. Fizemos rodas de conversas com os moradores. A partir daí começamos a lutar pelos projetos e hoje quase toda a comunidade tem acesso as tecnologias de água. Dessa vez serão mais oito cisternas construídas”, conta a presidente da associação Jucicleide Ramos.

Participaram da atividade 34 agricultores e agricultoras das comunidades Vertente, Maravilha, Canto, Cruzeiro da Paz, Barra do Vento e Salgado.

26 novembro, 2014

Alegria e celebração marcaram a comemoração dos 15 anos da ASA na Bahia

por Daiane Almeida

Ampliando a resistência!Fortalecendo a convivência!Viva ASA Brasil


Era meio dia pontualmente, ao soar de buzinas, teve início a ação de comemoração pelo aniversário de 15 anos da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). Em clima de muita alegria, cerca de 100 pessoas de diversas regiões do estado se reuniram no centro da cidade de Feira de Santana, na Bahia, no dia de hoje (26), para a realização do flash mob, ação rápida que cumpriu o objetivo de mexer com a rotina da cidade e em 7 minutos chamar a atenção das pessoas para o tipo de alimentação que elas têm acesso e para a questão da água que é usada na sua produção. A atividade celebrou a trajetória de trabalho da ASA e de construção de alternativas para convivência com o semiárido junto ao povo sertanejo.

5 milhões de pessoas com acesso à água potável no campo!
A problematização do tema aconteceu a partir da distribuição de 500 kits de alimentos orgânicos e agroecológicos da agricultura familiar, produzidos por cooperativas e grupos de produção de diversos municípios do estado baiano, filiados ao Armazém da Agricultura Familiar. As pessoas que passavam no local em transportes ou caminhando puderam levar os kits com mel agroecólogico, fubá orgânica, sequilhos e geleia de umbu.

Kits de alimentação foram distribuídos
Agricultores familiares que participaram da ação exibiram a produção de hortaliças e o processo de irrigação com regadores, que ao final também foram distribuídos. Com faixas e dizeres como:  “Para 800 mil mulheres do semiárido, lata d’água na cabeça é coisa do passado” ou ainda “Se o campo não planta, a cidade não janta”,  as pessoas que circularam pelo local puderam visualizar as mensagens produzidas pelo grupo, receberam panfletos e outros materiais informativos, além dos kits. Os mais interessados mantiveram um diálogo na busca de informações sobre o que é ASA e qual sua proposta de trabalho.

Geovanio Silva, jovem agricultor familiar do município de Retirolândia e animador, sentiu-se valorizado com a ação. “Despertou a curiosidade do público, as pessoas perguntaram o que era, o porquê da distribuição, pessoas perguntando como conseguir a cisterna. Foi importante ver a distribuição dos produtos da agriculta familiar. É bom saber que os nossos produtos são valorizados com o apoio da ASA (Articulação do Semiárido Brasileiro)”, afirmou.

Agricultores/ as agricultoras familiares


A inovação na forma de discutir a temática, e chamar a atenção de pessoas em um centro urbano de médio porte para questões importante com a água para produção de alimentos foi avaliado de forma positiva.  “Distribuímos produtos sem agrotóxicos, da agricultura familiar, as pessoas se interessaram para saber o que era e também queriam conhecer mais sobre a ASA. Acho que cumpriu a proposta de levar a mensagem do trabalho que a ASA desenvolve. É uma forma inovadora de falar sobre um tema”, opinou Arlene Freire, comunicadora popular.

Com frases e palavras de ordem como: “É no semiárido que a vida pulsa! É semiárido que o povo resiste” e muita animação, foi finalizada a ação, que também aconteceu em Minas Gerais e nos demais estados do Nordeste.  

24 novembro, 2014

Apaeb Serrinha inaugura minibiblioteca

Por Mirian Oliveira

Equipe da Apaeb e representante da Embrapa
Na última sexta-feira (21) a Apaeb Serrinha em parceria com a Embrapa inaugurou sua primeira minibiblioteca. A instituição recebeu um acervo com mais de 250 livros além de CDs e DVSs do projeto ‘’Minibiblioteca’’ da Embrapa em parceria com a Secretaria Nacional  de Segurança Alimentar  e Nutricional (SESAN) e do Ministério do Desenvolvimento  Social e Combate à Fome (MDS), os exemplares  somarão ao acervo próprio da instituição de cartilhas,boletins e demais exemplares voltados a convivências com o semiárido.
O acervo recebido é de caráter compatível com a realidade agrícola e agrária brasileira e se destina a apoiar e incentivar o processe de educação formal e informal de agricultores/a, jovens, adultos e crianças, contribuindo com o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar das comunidades.
Para Marcelo Ribeiro, pesquisador da Embrapa o projeto pretende somar com os conhecimentos que os agricultores/a já possuem daí o seu diferencial.
‘’Um dos objetivos do projeto é levar as tecnologias que a Embrapa já desenvolve há mais 40 anos, desde a sua criação, e atender aquelas entidades que estão precisando de um pouco mais de tecnologia, conhecimento. É trazer esses agricultores pra essas entidades, atrair crianças, jovens, adultos para o ambiente da organização social do campo, para fortalecer isso. Por isso a seleção dessas entidades é criteriosa, escolhemos pelo nível de organização, pela história de ação. A gente viu que a Apaeb já tem alguns programas em atividade, pois já a acompanhamos há alguns anos e que com certeza irá aproveitar muito bem dessa minibiblioteca. É bom ressaltar que essas tecnologias vêm para somar com todo conhecimento tradicional do agricultor familiar, não é algo isolado, a gente quer complementar, é ampliar esse conhecimento’’.
Ivoneide Santos, presidente da instituição destacou a importância da minibiblioteca e os planos para sua ampliação.
Ivoneide, presidente da Apaeb Serrinha
‘’A chegada dessa minibiblioteca é muito importante para instituição e para o público em geral.Nós temos muito exemplares, os quais são ligado a educação no campo esses vieram para somar. Não serão apenas os agricultores/a que se beneficiarão, mas o público em geral, nós da entidade principalmente, pois poderemos usar nos cursos que ministramos, além de poder compartilhar com demais entidades. Vamos ampliar com outros exemplares quem sabe com a própria Embrapa que já vai abrir um edital, o incentivo já temos,disse Ivoneide’’.
O kit de Minibibliotecas é composto por publicações impressas, programas em vídeo do programa ‘’Dia de Campo na TV’’e programas em áudio do programa de radio ‘’Prosa Rural’’. As mídias impressas e eletrônicas abordam técnicas simples e tecnológicas que podem contribuir para melhorar a produtividade agrícola, para o bom uso dos recursos naturais e adoção de boas práticas a agropecuárias.


22 novembro, 2014

Agricultores/a dos projetos P1+2 /BNDES e MDS compartilham saberes e experiências durante Encontro Territorial

Por Mirian Oliveira

Encontro Territorial reuniu mais de 120 pessoas durante os dias 19 e 20 de novembro


Momento de reflexão
‘’Aqui é minha terra, vou construir meu sonho aqui! Surgiu o projeto das cisternas, entrei no curso, tive dificuldades, mas venci e hoje construo cisternas e quero ver o povo produzir nem que seja um pé de pimenta para comer meio dia’’, essa foi uma das muitas falas que marcou o Encontro Territorial realizado pela Apaeb Serrinha,nos dias 19 e 20. O Encontro reuniu mais de 120 pessoas dos dois projetos executados pela instituição em parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro-ASA financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social-BNDES e pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome-MDS que atuam em alguns municípios do território do Sisal e Bacia do Jacuípe: Cansanção,Queimadas,Nordestina,Teofilândia,Capela do Alto Alegre e Serrinha. A fala acima citada é do pedreiro Erinilton Araújo do município de Capela do Alto Alegre.
Além de pedreiros estiveram presentes agricultores e agricultoras contemplados pelo projeto, comissões municipais, representantes municipais e  palestrantes que debateram diversos assuntos como: acesso ao crédito, PRONAF, Autonomia e gestão e Agroecologia.
A troca de experiência começou logo no início. Cada município trouxe algo que o representasse e contou sua história numerando suas dificuldades e qualidades.                              
Durante os dois dias do encontro os agricultores puderam expor e comercializar os produtos produzidos por eles na pequena Feira Compartilhada, por lá era possível encontrar artigos artesanais como: chapéus de palha de diversos modelos, peças de argila, peças de crochê, bolsas de palha, tapetes de palha entre outros. Para saborear tinha deliciosas cocadas de coco, ovos, couve, coentro, pepino, uvas a qual não é típica da nossa região, mas estava presente.
Feira Compartilhada

O primeiro dia foi marcado pela explanação dos temas sobre o acesso ao crédito que teve o apoio da cooperativa de crédito Ascoob Sisal e tirou dúvidas dos agricultores sobre cooperativismo e sua importância para o fortalecimento da agricultura familiar.  Na sequência Luiz Lisboa, colaborador da Apaeb Serrinha destacou a importância da agroecologia e da agricultura familiar. ‘’ Não é só a mulher, o homem, os filhos precisam trabalhar o conceito agroecológico. Não se faz agroecologia sem cuidar de todos os recursos naturais por igual. Por isso não podemos queimar, desmatar, jogar lixo a céu aberto, usar veneno. Temos que entender que a agricultura familiar tem uma marca, e que esta marca tem que ser entendida, a qual é a marca da família, da agroecologia’’, ressaltou Luiz.
Na sequência a palavra foi dada ao agricultor, Cordeiro Peixoto, que há mais de 30 anos cultiva hortaliças e que há dois anos conquistou uma cisterna de enxurrada o que potencializou sua produção, hoje ele colhe por semana mais de 400 pés de coentro e alface e vende na feria livre do seu município. A proposta da participação desse agricultor era incentivar os mais de 100 agricultores ali presentes e mostrar que é sim possível produzir com pouca água, já que no município onde Cordeiro vive [Capela] passa por um longo período de estiagem. Na sua fala Cordeiro destacou a importância do uso de defensivos naturais. ’’Eu tenho tantos clientes que compram por que não uso agrotóxico e se eu usar vão deixar de comprar’’. Cordeiro ainda citou diversas técnicas de plantio, de adubos e exemplos práticos de defensivos naturais, como o xixi bovino.
Agricultor experimentador Cordeiro Peixoto

O encontro não ficou restrito apenas com plenária e palestras, além da Feira Compartilhada e aberta para todos, teve a noite cultural tipicamente nordestina com um forró pé de serra para alegrar o povo e esquentar o frio e festejar a chuva que caia naquela noite.
Na manhã seguinte o dia começou cedo. Com uma reflexão seguida de laboral para animar o dia longo anterior. A programação para o dia 20(quinta-feira) foi por conta da equipe de comunicação, que trouxe para os presentes questionamentos sobre a comunicação para todos como instrumento de participação social enfocando os boletins e banners de experiências como fortalecimento das ações desenvolvidas pelos agricultores/a e por fim foi convidado um agricultor que já teve sua história sistematizada para falar da experiência e se o mesmo se sentiu representado por este instrumento de comunicação, o agricultor em questão disse que não só se sentiu representado como o boletim e o banner conquistado por ele serve como divulgação do seu trabalho e o ajuda nas vendas dos seus produtos.
Após Silvaney Santiago trazer para discussão o tema autonomia e gestão, chegou o momento da avaliação das ações que estão sendo realizadas dentro dos projetos P1+2/BNDES e MDS, este foi o momento de apontar as falhas, os acertos e dar sugestões para os próximos projetos que estão por vir.
Muitas coisas foram apontadas, algumas delas inclusive já foram solucionadas, como o caso da bomba que no projeto P1+2/BNDES, o qual acabará agora em novembro, ainda são manuais, vários agricultores reclamaram do não funcionamento da mesma, mas esta questão já foi solucionada e no projeto P1+2/MDS as bombas já são todas elétricas. As críticas foram poucas, não faltaram elogios aos projetos e as entidades que os executa.
Mesa com pedreiro,repres. da comissão e da entidade e agricultor

Para agricultora Valdineia Valéria da comunidade Lagoa do Canto, Teofilandia, o projeto não contribui apenas com a tecnologia em si, mas também com o resgate da cultura da comunidade.
‘’São inúmeras contribuições, é poder aumentar a renda familiar e de certa forma trouxe as raízes que estavam adormecidas. A gente passava necessidade e não percebia que podia daquilo que já existe tirar o nosso sustento, e durante os cursos a gente resgatou isso, e depois da tecnologia a gente viu que pode tirar o nosso próprio sustento do nosso quintal. Tenho uma cisterna calçadão, e produzo já a couve, coentro e a principio é somente para o consumo, e depois com certeza comercializar. Amei o evento. Foi maravilhoso, rever pessoas, pegar experiências com outros municípios, trocar experiências as quais vou levar comigo para vida toda’’, disse Neia, como gosta de ser chamada.

                                                                                                                                                                   

17 novembro, 2014

Agricultores/as participam de Encontro Comunitário em Cansanção


Por  Mirian Oliveira

O Encontro Comunitário tem como objetivo avaliar as ações do projeto Uma Terra e Duas Águas - P1+2/BNDES da Articulação no Semiárido e executado pela Apaeb Serrinha



Agricultores/as entoando numa só voz: NOSSA AGRICULTURA É FAMILIAR!
Na última quinta-feira (13/10) agricultores/as, técnicos/as, pedreiros, comissões municipais,além de representantes de associações locais se reuniram no município de Cansanção para o Encontro Comunitário, o qual tem como objetivo avaliar as ações do projeto Uma Terra e Duas Águas - P1+2/BNDES da Articulação no Semiárido-ASA e executado pela Apaeb Serrinha.
A alegria e satisfação dos agricultores/as estavam presentes em cada olhar, e palpáveis nos elementos que eles trouxeram para a mística, a qual foi formada por produtos trazidos por estas famílias que antes da conquista das tecnologias sofriam com a dura estiagem da região. Não faltaram culturas e iguarias: alface, tomates, couve, vinagre de umbu, ovos, milho, feijão, entre outros. Durante a apresentação de cada um dos presentes eles pegavam um elemento do círculo formado pelos elementos trazidos e diziam o que significavam ou a importância deste para eles. Surgiram muitos, mas alguns chamaram a atenção, como o da agricultora Viviane Reis que escolheu o ‘’cabeça de frade’’. “Ele mostra a resistência do sertão e que se vive no sertão e que aqui tem vida”.
O encontro era mesmo de avaliação. Era o momento dos presentes apontarem falhas, sugestões e criticas sobre o projeto que atua nos municípios desde o início do ano e que até o final desde mês [novembro] entregará 320 tecnologias de produção para os municípios de Cansanção, Nordestina e Queimadas. Para isto as famílias discutiram em conjunto questões referente à chegada do projeto na sua comunidade até a implementação do caráter produtivo, aproveitaram ainda para sanar dúvidas ainda existentes.
A agricultora Ivone Santos, do município de Cansanção destaca as vantagens do projeto e os planos futuros.
‘’Para mim valeu a pena para todo o nosso município, nos nunca pensamos em adquiri um cisterna dessa. Valeu a pena o esforço. A partir de agora é produzir. Que a gente possa fazer valer a pena, que possamos planar nossa horta, meu marido pegou [caráter produtivo] para cabra, mas vou fazer minha horta porque gosto de cuidar disso’’.
Todas as sugestões e críticas evidenciadas durante o encontro serão encaminhadas para entidade gestora do projeto para que sejam analisadas.

24 outubro, 2014

Em defesa da convivência com o semiárido, ato reuniu 50 mil pessoas

Por Daiane Almeida

Em Petrolina, terras banhadas pelo Rio São Francisco, na manhã de 21 de outubro,que estava nas ruas e conectado as redes sociais pôde se ver as ruas tomadas por um “mar vermelho”. Agricultores e agricultoras familiares de todos os estados do Semiárido Brasileiro, vestidos de vermelho, com bandeiras e canções, se fizeram presentes em um grande Ato em defesa da política de convivência com o semiárido, organizado pela Articulação Semiárido Brasileiro, que manifestou apoio a reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

As caravanas viajaram durante horas por toda a noite para unirem-se na orla de Juazeiro  durante o início da manhã. Organizados, saíram caminhando pela ponte que liga a cidade baiana a pernambucana Petrolina.

Com palavras de ordem, músicas e festa se concentraram ao lado da  igreja matriz da cidade, para ouvir as palavras do coordenador da ASA, Naidison Baptista, que enumerou em sua fala as políticas de convivência com o semiárido construídas através da parceria das organizações da sociedade civil e o poder público ao longo dos últimos 12 anos, como a construção de  800 mil cisternas para armazenar água potável para o consumo das famílias, a implementação de tecnologias de captação de água para produção de alimentos, entre outras.

Naidison Baptista, coordandor ASA, afirmou ao
lado Dilma Roussef as conquistas, mas destacou
os desafios que a região Semiárida ainda deve enfrentar
"Nós temos possibilidade de moradia, nós temos água, nós temos assistência técnica, nós temos crédito. Nós temos uma gama imensa de programas e políticas, presidenta, que mudaram a realidade de vida dessa população. Esse povo todo está aqui pra dizer que todas essas políticas são fundamentais para o Semiárido”, afirmou Baptista.

O governador da Bahia, Jacques Wagner também fez uma fala no sentido de continuar com as ações que contribuem para o crescimento da Região Nordeste. “ "Não queremos repetir o abandono do NE. Não vamos interromper a rota do desenvolvimento”,  afirmou o governador.
A presidenta marcou presença no evento e falou para os milhares de presentes sobre a importância da região para o país. "Essa é uma das mais importantes regiões do país, apesar do que acham os tucanos. Eles falaram que os votos que eu recebi no semiárido no Nordeste eram de pessoas ignorantes. Nós somos ignorantes, porque ignoramos os tucanos", disse presidenta Dilma Rousseff para a multidão de 50 mil pessoas.

Ela ainda afirmou o orgulho que sente da parceria feita com os movimentos sociais do semiárido. “Eles que tem visão ultrapassada do Brasil, não sabem que o Brasil e essa região está mudando pelo braço, pela garra, esforço, do seu próprio povo e pelas oportunidades que o governo do presidente Lula e o meu governo fizemos aqui no semiárido. Tenho orgulho do 1 milhão de cisternas que construímos com a ASA”, ressaltou a presidenta.

Orgulho de ser Nordestino! - Os agricultores familiares presentes reafirmaram seu orgulho de ser nordestino e do semiárido, nas faixas, cartazes, banners, mensagens de afirmação e desejo de que novas políticas se concretizem e outras tantas avancem mais. Dona Marinalva Quintino, da Comunidade Canto, de Serrinha, é um exemplo da mudança e do desejo de continuidade. Ela que conquistou uma barragem subterrânea sabe a importância das ações de convivência com o semiárido para a melhoria na qualidade de vida sua família.

“Minha vida mudou muito. Na minha barragem eu tenho quiabo, cebola, couve, não preciso mais
Marinalva, agricultora familiar
comprar e já tenho minha semente. Eu achei que melhorou muito a minha vida de Lula pra cá. Eu pude comprar minha moto, meus filhos tem a deles, eu fui para Santa Catarina de avião. Quem era pobre que podia viajar de avião antes? Eu fui e vou qualquer hora. Até a comida na mesa melhorou. Quando eu recebo o Bolsa Família já venho com o café, o óleo, o detergente para casa. Minha televisão é nova, sofá aqui a gente não tinha, cama arrumada, piso no chão, meu banheiro já tá mais arrumado”, afirmou a agricultora familiar, que além de cuidar das hortaliças, trabalha raspando mandioca.